Japão supera pela primeira vez a marca de 100 mil pessoas centenárias, um marco mundial de longevidade
A nação asiática superou a marca registrada desde que começou a contabilizar esses números, em 1963. Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, a maioria desses centenários é composta por mulheres.

O número de pessoas com 100 anos ou mais que vivem no Japão ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 100 mil; o total chegou a 107.677 neste ano, 7.914 a mais do que no ano passado. Vale destacar que a maioria delas — 94.298 — é composta por mulheres.
Segundo registros e contagens realizados desde a segunda metade do século passado, o número de centenários vem aumentando de forma constante. Um dado curioso é que, em 1963, quando o país promulgou a Lei de Bem-Estar Social para Idosos, havia registro de apenas 153 pessoas nessa faixa etária em todo o território nacional.
O número ultrapassou 1.000 em 1981, 10.000 em 1988 e 50.000 em 2012. A pessoa mais longeva do Japão é Fuyo Kishimoto, uma mulher que vive na cidade de Quioto e completou 114 anos em dezembro de 2025; ela obteve esse reconhecimento após a morte de Shigeko Kagawa, aos 115 anos.
Manter bons hábitos é uma das principais chaves
Especialistas em questões de saúde e longevidade atribuem esta elevada expectativa de vida no Japão a uma dieta relativamente saudável, baixas taxas de obesidade e acesso a um sistema de saúde universal. Segundo registros das autoridades, Kato Hikaru é o homem mais velho, tem 112 anos e é originário de Kumamoto.

O Ministro da Saúde, Ueno Kenichiro, afirmou recentemente estar “encantado pelo fato de tantas pessoas viverem vidas longas, saudáveis e ativas”, explicando que fatores como os avanços na tecnologia e na saúde também contribuem para essa realidade.
Ele também alertou para o desafio que o país enfrenta para manter um sistema de seguridade social sustentável. Especialistas em saúde explicam que diversos fatores estão relacionados à longevidade dos japoneses, entre eles um estilo de vida ativo e uma dieta saudável.
Dieta à base de legumes, arroz e peixe
A alimentação desta nação baseia-se principalmente no consumo de arroz, legumes e peixe; contém menos gorduras do que muitas dietas de países ocidentais. Além disso, muitos idosos caminham, utilizam transporte público, andam de bicicleta e praticam exercícios de alongamento com frequência.
Há algum tempo, o Japão vem passando por um processo de envelhecimento populacional. Como referência, há uma década as vendas de fraldas para adultos superam as de fraldas para bebês. Nesse sentido, muitas empresas desenvolveram novos produtos para pessoas idosas.
Preocupação com uma população longeva
Além disso, também foram desenvolvidas novas tecnologias para a população idosa: criaram-se exoesqueletos motorizados que ajudam a movimentar diversas partes do corpo, bem como óculos que ajustam automaticamente o foco para favorecer a visão.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisa sobre População e Seguridade Social, prevê-se que, até o ano de 2070, a população total do Japão cairá para 87 milhões — o que representa uma redução de 30% em relação ao pico de 128 milhões registrado em 2008.
Emergência silenciosa
As autoridades japonesas classificaram esse comportamento associado ao envelhecimento como uma "crise existencial". Inclusive, a primeira-ministra do país, Sanae Takaichi, classificou esse declínio como uma "emergência silenciosa".

Em 2025, a população total do Japão diminuiu em 47 prefeituras — exceto em duas —, e o ritmo de queda está se acelerando. Por outro lado, os programas e subsídios do governo para incentivar os jovens a ter mais filhos parecem não estar estimulando as taxas de natalidade.
Redução populacional significativa e rápida
O Japão enfrenta uma redução populacional significativa. O ano de 2024 registrou um recorde de queda, com uma diminuição de mais de 900 mil pessoas, segundo dados oficiais. O aumento do número de pessoas com 100 anos ou mais é um reflexo de sua complexidade demográfica.
Com uma idade mediana de 49,9 anos e segundo o Banco Mundial, o Japão compartilha com Cingapura e a Coreia do Sul uma estrutura populacional na qual a baixa natalidade e o envelhecimento pressionam a sustentabilidade do Estado de bem-estar social a longo prazo.