Queimadas na Amazônia elevam poluição do ar a níveis críticos em Manaus
Capital amazonense registrou concentrações alarmantes de partículas tóxicas na atmosfera, levando autoridades a emitir alertas de saúde, suspender atividades presenciais e reforçar medidas de proteção à população diante das queimadas.

A cidade de Manaus, no Amazonas, enfrentou níveis críticos de poluição atmosférica na sexta-feira (9), devido à intensa fumaça provocada por queimadas no interior do estado. A situação levou a Defesa Civil a emitir alertas de risco à saúde e provocou a suspensão de aulas e atividades presenciais em instituições públicas.
Segundo a Defesa Civil municipal, a concentração de material particulado fino (MP2,5) chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na manhã de sexta-feira. Na noite anterior, os sensores já haviam registrado 200 µg/m³, valores classificados como péssimos para a qualidade do ar.
As partículas MP2,5 são especialmente prejudiciais à saúde por serem pequenas o suficiente para penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode provocar tosse, irritação nos olhos, dificuldade para respirar e agravamento de doenças respiratórias, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas de saúde preexistentes.
Escolas e universidades suspendem atividades
Diante da gravidade da situação, a Prefeitura de Manaus suspendeu as aulas da rede municipal de ensino e as atividades presenciais em órgãos administrativos na sexta-feira. Serviços essenciais, como o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), permaneceram funcionando.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) também interrompeu as atividades acadêmicas e administrativas presenciais, recomendando a adoção do trabalho remoto. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (IFAM) adotaram medidas semelhantes para proteger estudantes e servidores.
A Defesa Civil orientou a população a evitar exercícios físicos, aumentar a ingestão de água, utilizar máscaras PFF2 e acompanhar os boletins sobre a qualidade do ar. As recomendações são especialmente importantes para os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição.
Monitoramento aponta agravamento da poluição
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido por pesquisadores da UEA, revelaram concentrações ainda mais elevadas de partículas tóxicas. Na madrugada de sexta-feira, um dos pontos monitorados registrou 344,5 µg/m³ de MP2,5.
O monitoramento também utiliza informações da plataforma internacional PurpleAir, que mantém dez sensores na capital amazonense. Os equipamentos permitem acompanhar as variações na concentração de poluentes e subsidiar alertas à população.
Queimadas ampliam riscos ambientais e à saúde
A recorrência dos episódios de fumaça evidencia os impactos das queimadas sobre a qualidade de vida na Amazônia, especialmente durante os períodos de estiagem, quando as condições atmosféricas podem dificultar a dispersão dos poluentes.
A Prefeitura de Manaus informou que intensificou as ações de fiscalização, prevenção e combate às queimadas urbanas, além de manter o acompanhamento da qualidade do ar e a assistência à população.
O cenário reforça a importância do monitoramento ambiental e de medidas preventivas para reduzir os impactos da poluição atmosférica sobre a saúde das populações amazônicas.
Referência da notícia
Agência Brasil. (2026). Manaus atinge níveis graves de poluição do ar por fumaça de queimadas.