Nascimento raro de elefante-marinho é registrado pela primeira vez no Rio Grande do Sul

Filhote nasceu na Praia do Cassino, em Rio Grande, e está sendo acompanhado por equipes ambientais. Especialistas reforçam a importância de manter distância para proteger mãe e recém-nascido durante amamentação.

Mãe e filhote de elefante-marinho na praia do Cassino no Rio Grande do Sul. Crédito: CRAM-FURG/Divulgação
Mãe e filhote de elefante-marinho na praia do Cassino no Rio Grande do Sul. Crédito: CRAM-FURG/Divulgação

Um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) nasceu na tarde de quarta-feira (7 de outubro), na Praia do Cassino, em Rio Grande, no litoral do Rio Grande do Sul. O nascimento, registrado nas proximidades da região conhecida como Querência, é considerado um acontecimento extremamente raro na costa brasileira.

Segundo o Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema), trata-se do primeiro nascimento da espécie documentado no estado e do terceiro registrado no Brasil. A fêmea já vinha sendo acompanhada por equipes ambientais antes do parto, que chamou a atenção de moradores e visitantes.

Após o nascimento, profissionais do Nema e do Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Universidade Federal do Rio Grande (CRAM-FURG) intensificaram o monitoramento. A área foi isolada para garantir a tranquilidade dos animais e evitar interferências durante os primeiros dias de vida do filhote

Reprodução fora das áreas habituais

Os elefantes-marinhos-do-sul vivem principalmente em regiões próximas à Antártida e à Patagônia argentina, onde estão localizadas importantes colônias reprodutivas. Embora possam aparecer ocasionalmente no litoral brasileiro durante seus deslocamentos, os nascimentos fora dessas áreas são incomuns.

Mãe e filhote de elefante-marinho na praia do Cassino no Rio Grande do Sul. Crédito: Secretaria de Município do Cassino/Divulgação)
Mãe e filhote de elefante-marinho na praia do Cassino no Rio Grande do Sul. Crédito: Secretaria de Município do Cassino/Divulgação)

A espécie pertence ao grupo dos pinípedes, que também inclui focas, lobos-marinhos e leões-marinhos. Esses mamíferos passam grande parte da vida no oceano, mas dependem de ambientes terrestres para atividades como reprodução, amamentação e troca de pelagem.

Durante o período reprodutivo, as fêmeas permanecem em terra para cuidar dos recém-nascidos. A amamentação dura aproximadamente três semanas, período em que os filhotes ganham peso rapidamente. Nesse intervalo, as mães utilizam suas reservas corporais de energia para produzir leite e alimentar os filhotes.

Proteção dos animais mobiliza equipes ambientais

O nascimento na Praia do Cassino mobilizou pesquisadores e instituições ambientais, que acompanham o comportamento e as condições de saúde da mãe e do filhote. A prioridade é assegurar que ambos permaneçam protegidos durante essa fase especialmente sensível.

As equipes orientam moradores e turistas a respeitarem o isolamento estabelecido, evitando aproximações, fotografias de perto e qualquer tentativa de interação. Também é importante manter cães e outros animais domésticos afastados, pois sua presença pode provocar estresse e comprometer a segurança dos animais.

Especialistas destacam que a colaboração da população é fundamental para o sucesso da amamentação e para que os elefantes-marinhos possam retornar ao ambiente marinho após esse período. A recomendação é observar os animais somente de locais autorizados, sem interferir em seu comportamento natural.

Avistamentos também ocorreram no Rio de Janeiro

Além do nascimento no litoral gaúcho, elefantes-marinhos foram observados recentemente em praias do Rio de Janeiro. Na terça-feira (6), um exemplar apareceu na faixa de areia de Copacabana, depois de registros em São Conrado e Icaraí, em Niterói.

Essas aparições despertam curiosidade, mas também reforçam a necessidade de conscientização sobre a convivência responsável com a fauna marinha. A presença desses animais nas praias nem sempre indica problemas de saúde, podendo estar relacionada a períodos naturais de descanso durante seus deslocamentos.

Referência da notícia

Veja. (2026). Elefante-marinho dá à luz a filhote em praia do Cassino, no Rio Grande do Sul.