Super El Niño: Brasil se destaca em nova previsão global com impactos do fenômeno histórico

O boletim do Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI), destaca a América do Sul no cenário climático global, com amplas áreas sob elevada probabilidade de chuva abaixo da média abrangendo grande parte do Brasil, em contraste com chuvas acima da média na Região Sul.

A América do Sul concentra uma das maiores extensões de áreas com elevadas probabilidades de chuva acima e abaixo da média na previsão global para novembro de 2026 a janeiro de 2027. Créditos: IRI.
A América do Sul concentra uma das maiores extensões de áreas com elevadas probabilidades de chuva acima e abaixo da média na previsão global para novembro de 2026 a janeiro de 2027. Créditos: IRI.

O boletim mensal de previsões climáticas do Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI), ligado à Universidade Columbia, nos Estados Unidos, foi divulgado na última quinta-feira (15).

A atualização destaca uma maior probabilidade de chuva abaixo da média no norte da América do Sul entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, além de temperaturas acima da média em grande parte do continente, o que inclui grande parte do território brasileiro.

A previsão foi elaborada pelo Centro de Pesquisa sobre Sistemas Climáticos (CCSR) e pelo IRI, combinando resultados de quatro modelos climáticos por meio de um método estatístico de calibração. O boletim considera como referência a climatologia de 1991 a 2020 e apresenta as probabilidades de ocorrência de condições mais secas, mais úmidas, mais quentes ou mais frias que o normal.

O cenário ocorre durante um episódio excepcionalmente intenso de El Niño, que vem se fortalecendo no Pacífico equatorial e influencia os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Confira os detalhes da previsão para o Brasil no trimestre de novembro-dezembro-janeiro.

Chuva abaixo da média e calor em parte do Brasil

Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 (NDJ), o mapa de precipitação do IRI indica maior probabilidade de acumulados abaixo da média em uma extensa área do norte da América do Sul, abrangendo grande parte da Amazônia e avançando sobre áreas do Brasil central e Nordeste. Em algumas dessas regiões, as probabilidades de chuva abaixo da média ultrapassam 70%.

O sinal não significa que haverá necessariamente uma seca generalizada, mas indica que, segundo o conjunto de modelos, o cenário de chuva abaixo da média é mais provável que as demais categorias.

A previsão também mostra um contraste em relação ao sul do continente, onde há maior probabilidade (+70%) de precipitação acima da média em áreas do Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e da Argentina.

Previsão probabilística de chuva (esquerda) e temperatura (direita) para o trimestre novembro-dezembro-janeiro, segundo o IRI. Créditos: Meteored/IRI.
Previsão probabilística de chuva (esquerda) e temperatura (direita) para o trimestre novembro-dezembro-janeiro, segundo o IRI. Créditos: Meteored/IRI.

No mapa de temperatura, predominam as probabilidades de condições acima da média em grande parte do Brasil, com a maior parte do território apresentando probabilidade superior a 70%.

O sinal de temperaturas abaixo da média aparece principalmente em partes do sul da América do Sul, incluindo o Rio Grande do Sul.

Os mapas representam probabilidades para o conjunto do trimestre, e não previsões diárias ou indicações de ondas de calor e eventos extremos específicos. A evolução das condições atmosféricas ao longo dos próximos meses será determinante para a distribuição efetiva das chuvas e das temperaturas.

Embora o El Niño possa contribuir para essas condições, ele não é o único fator que influencia o clima sazonal, dependendo da interação com outros processos oceânicos e atmosféricos, que podem podem reforçar ou modificar os padrões previstos.

Temperaturas acima da média predominam no cenário global

O boletim do IRI destaca uma elevada probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do planeta entre novembro de 2026 e abril de 2027. Esse sinal aparece em extensas áreas do globo, embora algumas regiões apresentem maior probabilidade de temperaturas abaixo da média em determinados períodos, como o Uruguai e áreas vizinhas entre novembro e janeiro e o sul e sudeste dos Estados Unidos entre janeiro e abril de 2027.

Previsão probabilística de temperatura global para o trimestre novembro-dezembro-janeiro, segundo o IRI. Créditos: IRI.
Previsão probabilística de temperatura global para o trimestre novembro-dezembro-janeiro, segundo o IRI. Créditos: IRI.


O cenário ocorre em meio ao fortalecimento excepcional do El Niño, que é conhecido por elevar as temperaturas globais, especialmente no ano após seu pico.


Em setembro de 2026, a anomalia mensal absoluta da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 (onde o fenômeno é monitorado) chegou a +2,84°C, enquanto o valor semanal centrado em 7 de outubro atingiu +3,3°C. Esse último valor permaneceu acima de +3,0 °C nas quatro semanas anteriores, segundo o relatório. O pico do evento, porém, só deve ocorrer entre novembro e dezembro, o que significa que as anomalias ainda irão aumentar até lá.

Referência da notícia

International Research Institute for Climate and Society (IRI). October 2026 Climate Forecast Discussion for the period November-January 2026/27 through February-April 2027.