Segundo a NASA, o gelo marinho do Ártico atingiu, este ano, o seu décimo nível mais baixo alguma vez registado no verão
Quase 50 anos de dados de satélite mostram que o gelo marinho do Ártico está a diminuir tanto no verão como no inverno e, segundo a NASA, o gelo que ainda existe é muito mais fino e frágil do que antes.

Todos os anos, o gelo que cobre o Oceano Ártico acumula-se durante um longo e escuro inverno, atinge a sua maior extensão por volta de março e, depois, reduz-se durante os meses mais quentes até atingir o seu ponto de menor extensão em setembro.
É um ciclo que se verifica há milhares de anos, mas os satélites monitorizam-no desde 1978 e, segundo a NASA, a quantidade de gelo em ambos os extremos deste ciclo diminuiu significativamente.
Uma desaceleração, mas não uma recuperação
Este ano, o gelo marinho do Ártico atingiu o seu mínimo anual a 12 de setembro, cobrindo cerca de 4,6 milhões de quilómetros quadrados. Os dados registados pela NASA e pelo Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA mostram que este número iguala os níveis de 2008, 2010 e 2025, situando-se como o décimo nível mais baixo desde o início dos registos por satélite.
E não se trata apenas do verão. Em março, o pico de inverno igualou, estatisticamente, o máximo mais baixo alguma vez registado em março de 2025.
No entanto, segundo os investigadores da NASA, na última década, os níveis de gelo em setembro mantiveram-se bastante estáveis, em vez de continuarem com o acentuado declínio observado na década de 2000. Uma das razões, explicam, é a maior nebulosidade sobre o Ártico nos últimos anos, o que impediu que parte da luz solar chegasse ao gelo e contribuiu para limitar o degelo.

Mas isso não significa que as coisas estejam a melhorar. De acordo com os dados, todos os verões, de 2007 a 2026, figuram entre os 20 com a menor extensão de gelo em setembro na história — sendo o de 2012 o mais baixo de todos —, pelo que a situação estabilizou num nível muito mais baixo do que anteriormente.
O que resta é mais jovem e mais fino
No entanto, a maior preocupação para os cientistas é agora o que está a acontecer com o gelo em si. O Ártico costumava estar coberto por uma grande quantidade de gelo plurianual — ou seja, gelo que sobrevive pelo menos a um verão e se acumula ao longo de vários anos, tornando-se mais espesso e resistente com o passar do tempo.
Segundo a NASA, este gelo antigo diminuiu significativamente, e a maior parte do Ártico está agora coberta por gelo de primeiro ano, que se forma durante o inverno, mas é muito mais fino e derrete muito mais facilmente quando chega o verão.
Os padrões naturais, como a Oscilação Ártica — que afeta os ventos e as temperaturas em toda a região —, influenciam a quantidade de gelo de um ano para o outro. No entanto, os cientistas afirmam que as flutuações naturais não conseguem explicar, por si só, o declínio a longo prazo, e que o aumento das temperaturas globais é um fator importante.
Olhando para o futuro, os investigadores preveem que o Oceano Ártico poderá ficar praticamente livre de gelo marinho durante pelo menos um verão antes de 2050, o que representaria uma enorme mudança para uma região que manteve uma extensa camada de gelo durante milénios.
Referência da notícia
NASA Earth Observatory. (October 2026). Arctic Sea Ice Shrinks to Its 2026 Minimum.