Chuva perde força com tempo seco e quente retornando para as áreas de soja do Norte e do Nordeste
A chuva perde força a partir de quarta-feira em Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, enquanto calor e ar seco mantêm riscos para a soja onde o perfil ainda depende de precipitações regulares para sustentar a emergência uniforme.

A partir desta quarta-feira, 21 de outubro, a chuva perde força sobre Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. A previsão semanal ainda indica pontos de até 40 mm no Tocantins, mas sem acumulados relevantes nos demais estados. O contraste afeta a implantação da soja e do milho primeira safra.
O desafio é distinguir uma superfície molhada de um perfil capaz de sustentar germinação e emergência. Semear após um episódio isolado pode acelerar a embebição, mas a interrupção da chuva ameaça o estande e pode exigir replantio. Sob irrigação, também importam textura, profundidade úmida, infiltração e evapotranspiração.
Ar seco avança na quarta-feira e calor alcança 40 °C
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) se fragmenta na quarta-feira, 21. A chuva fica isolada no oeste e sul do Tocantins e no sul da Bahia, enquanto o tempo ensolarado predomina no Maranhão e no Piauí. As máximas chegam a 36 °C em Palmas e 39 °C em Teresina, acelerando a perda de água superficial.

Na quinta-feira, 22, ainda pode chover isoladamente no oeste tocantinense e no litoral sul baiano, mas o interior permanece firme. Teresina pode alcançar 40 °C e São Luís, 33 °C.

Há risco de baixa umidade no leste do Maranhão, no Piauí e no norte e oeste da Bahia. Em solos arenosos ou descobertos, calor, vento e radiação reduzem mais rapidamente a água disponível às sementes.
Semeadura avança somente onde a umidade respondeu
O levantamento mais recente mostra 30,1% da soja e 36% do milho primeira safra semeados no país, mas as condições seguem heterogêneas. No Tocantins, a irregularidade mantém a soja lenta e pontual. No Maranhão, o calendário começou, porém o sul adiou operações por falta de chuva. Na Bahia, a implantação avançou sob irrigação e nos talhões que efetivamente receberam precipitação.

A semente de soja precisa absorver ao menos 50% do próprio peso em água. A faixa térmica adequada do solo fica entre 20 °C e 30 °C, com 25 °C próxima do ideal, e a profundidade usual varia de 3 a 5 centímetros. Assim, uma superfície úmida no oeste baiano, sul maranhense ou sudoeste piauiense não assegura emergência uniforme quando o horizonte abaixo continua seco.
Até segunda-feira, decisão exige conferir o perfil
Entre quarta-feira, 21, e segunda-feira, 26, a chuva tende a permanecer esparsa nas áreas produtoras. No conjunto do período semanal iniciado no dia 19, apenas o Tocantins pode registrar pontos de até 40 mm; Maranhão, Piauí e interior da Bahia devem ter volumes pouco relevantes.

No conjunto do período semanal iniciado no dia 19, apenas o Tocantins pode registrar pontos de até 40 mm; Maranhão, Piauí e interior da Bahia devem ter volumes pouco relevantes.
Portanto, o acumulado precisa ser confrontado com infiltração, palhada, compactação e umidade na linha. Antes de ampliar a área, o planejamento pode seguir quatro verificações:
- No Tocantins, pontos de até 40 mm exigem inspeção abaixo da superfície, pois pancadas concentradas podem gerar escoamento sem recompor o perfil.
- No sul do Maranhão, a redução da chuva após o dia 21 recomenda escalonar a soja e evitar expor toda a área à mesma janela seca.
- No oeste da Bahia, profundidades de 3 a 5 centímetros devem ser conferidas por talhão para reduzir falhas de emergência.
- No sudoeste do Piauí, máximas de 39°C a 40°C elevam a evapotranspiração e encurtam a permanência da água superficial.