Queimadas no Amazonas geram fumaça densa e afetam mais de 20 cidades; veja imagens

Mensagens enviadas pela Defesa Civil diretamente aos aparelhos celulares da população reforçaram a necessidade de proteção facial individual diante da elevação drástica na quantidade de micropartículas em suspensão na atmosfera.

Defesa Civil recomenda máscaras após ar atingir nível crítico em Manaus. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Defesa Civil recomenda máscaras após ar atingir nível crítico em Manaus. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica

Uma densa nuvem de fumaça voltou a cobrir Manaus e diversas cidades do interior do Amazonas nesta sexta-feira (9). A concentração de poluentes atingiu patamares perigosos em múltiplos pontos do estado, forçando a interrupção de atividades e mobilizando avisos urgentes das autoridades meteorológicas e sanitárias.

O cenário reflete o avanço descontrolado das chamas em meio à estiagem histórica que atinge os rios amazônicos. Além de comprometer cartões-postais e vias de transporte, o ar carregado de fuligem já prejudica diretamente as condições de vida em mais de 20 municípios.

Índices críticos de poluição e impactos na saúde

O monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontou índices alarmantes. Enquanto a qualidade recomendada varia entre 0 e 25 microgramas por metro cúbico (µg/m³), Careiro da Várzea registrou 302,3 µg/m³ após o fogo atingir o distrito de Autaz Mirim e as comunidades Bom Futuro e Jatuarana.

Poluição provocada por queimadas afeta saúde e municípios do Amazonas. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Poluição provocada por queimadas afeta saúde e municípios do Amazonas. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica

Na capital amazonense, a plataforma internacional IQAir mediu um Índice de Qualidade do Ar (AQI) de 366 no início da manhã, classificado como perigoso. A concentração de partículas finas PM2,5 atingiu 258,2 µg/m³, número que supera em mais de 23 vezes o padrão tolerável estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Bairros populosos como Morro da Liberdade e Educandos chegaram a registrar 320,2 µg/m³ de material particulado. Com a atmosfera sufocante, a população enfrenta sintomas como tosse contínua, ardor ocular e enxaqueca crônica. Como consequência, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) suspendeu as aulas presenciais nesta sexta-feira.

Simultaneamente, a Defesa Civil acionou notificações nos aparelhos móveis para orientar o uso imediato de máscaras nas ruas. O avanço da poluição também atinge duramente cidades vizinhas como Itacoatiara, onde a comunidade Canaçari sofre com queimadas contínuas há 20 dias.

Danos nas comunidades e articulação governamental

Nas áreas rurais, os prejuízos ultrapassam o isolamento provocado pela falta de visibilidade nos rios e estradas. Produtores agrícolas e famílias ribeirinhas enfrentam perdas severas de lavouras e habitações, tentando conter o avanço do fogo com ferramentas rudimentares.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam que o Amazonas contabilizou quase 20 mil focos de calor apenas nos oito primeiros dias de outubro. Grande parte dessas queimadas decorre de interferência humana agravada pelo tempo seco prolongado.

Para conter as perdas, investimentos estaduais preveem mais de R$ 10 milhões em ações de controle. Desse montante, R$ 8,2 milhões provêm de financiamento captado junto ao BNDES, somados a R$ 1,8 milhão destinados ao Corpo de Bombeiros.

Em âmbito nacional, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima coordena apoios emergenciais junto a outras pastas. Entre as estratégias analisadas estão o envio de agentes e o uso de aeronaves para alcançar focos isolados na floresta.

Referências da notícia

Nicoly Ambrosio. (2026). Pela segunda vez, Manaus registra péssima qualidade do ar.
lexandre Hisayasu, Maria Eduarda Furtado, Sabrina Rocha. (2026). Incêndio atinge área de mata em Careiro da Várzea e município registra qualidade do ar 'muito ruim'.
Patrick Marques. (2026). Fumaça encobre cidades e queimadas deixam rastro de destruição no Amazonas.