Em um lago na Tanzânia, há animais que parecem ter virado pedra: o que explica esse fenômeno natural
Este lago na Tanzânia é famoso pelas imagens de aves que parecem estátuas de pedra. Sua água extremamente alcalina e os sais minerais que ela contém ajudam a conservar alguns cadáveres, que proporcionam imagens tão espetaculares quanto inquietantes.

No norte da Tanzânia, perto da fronteira com o Quênia, encontra-se um dos lagos mais singulares do mundo. O Lago Natron surpreende por suas águas rasas, seus tons rosados e um ambiente vulcânico onde as temperaturas podem ultrapassar os 40°C. Mas são as fotografias de aves e morcegos com aspecto de estátuas que transformaram este lugar em um fenômeno viral.
A explicação reside em sua composição química peculiar. O Natron é um lago salino e alcalino, cuja água pode atingir um pH entre 9,5 e 12, segundo a autoridade de vida selvagem da Tanzânia. Em determinadas condições, sua elevada concentração de sais favorece a conservação dos restos de alguns animais que morrem em suas águas.
O resultado pode parecer inquietante: corpos cobertos por uma crosta esbranquiçada, com penas ou pele endurecidas por depósitos minerais, que parecem ter se transformado em pedra. No entanto, por trás dessas imagens não há uma petrificação instantânea, mas sim um processo de conservação química e dessecação.
Por que os animais parecem transformados em pedra
O segredo está nos sais de sódio, especialmente no carbonato de sódio, que chegam ao lago por meio de cursos d'água, fontes minerais e da geologia vulcânica da região. Com a evaporação da água, esses compostos podem se depositar sobre os restos orgânicos e formar uma camada mineral que altera o seu aspecto.

A elevada alcalinidade também contribui para criar um ambiente hostil para numerosos organismos. No entanto, a água não transforma instantaneamente em pedra os animais que a tocam.
Os animais mortos que permanecem nas margens podem acumular depósitos salinos enquanto secam, o que ajuda a preservar sua forma por mais tempo e produz essa aparência de mumificação.
Semelhante à mumificação egípcia
O fenômeno lembra, de certa forma, as técnicas de mumificação do antigo Egito. Os egípcios utilizavam uma mistura natural de sais conhecida como natrão — na antiguidade, também chamada de "sal divino" — para desidratar os corpos e retardar sua decomposição.

Embora o ambiente e os processos não sejam idênticos, em ambos os casos os sais desempenham um papel importante na conservação dos restos.
O termo calcificação, frequentemente utilizado para descrever os animais do lago Natron, também não é totalmente preciso do ponto de vista químico: os depósitos estão relacionados principalmente a sais de sódio, e não necessariamente a uma mineralização equivalente àquela que transforma tecidos em rocha.
Trata-se, portanto, de restos conservados e recobertos por minerais, e não de animais literalmente transformados em pedra.
As fotografias que deram a volta ao mundo
A fama internacional do lago cresceu em 2013, quando o fotógrafo Nick Brandt publicou imagens de aves e morcegos mortos com um aspecto quase escultórico.
As fotografias, incluídas em seu livro Across the Ravaged Land, mostravam os animais posicionados sobre galhos ou junto à água, em posturas que pareciam devolver-lhes a vida.
Con un pH superior a 11, el lago Natrón, en Tanzania, es un lugar inhóspito para la vida. La alta alcalinidad de sus aguas ricas en carbonato de sodio ha provocado la "muerte salada" y la petrificación de estos animales, "reanimados" en poses vivas por el fotógrafo Nick Brandt: https://t.co/OOKFIhLWtI
— Héctor Rodríguez (@Hector_Rguezm) February 12, 2020
Brandt explicou que havia encontrado os cadáveres nas margens e que, depois, os posicionou para fazer as fotografias. Por isso, as imagens não devem ser interpretadas como cenas de animais que se transformaram em estátuas enquanto estavam vivos. Seu impacto visual decorre da combinação de conservação natural e composição fotográfica.
Um lago que também tem vida
Apesar de sua reputação como um lugar mortal, o lago Natron não é um cemitério natural nem um ambiente completamente estéril. Suas condições extremas favorecem microrganismos adaptados à salinidade e à alcalinidade, alguns dos quais podem tingir a água de vermelho.
As algas e cianobactérias que prosperam neste ambiente também constituem uma fonte de alimento essencial para os flamingos-pequenos. De fato, o lago é um dos locais de reprodução mais importantes do mundo para esta espécie.

A autoridade de vida selvagem da Tanzânia aponta que a região abriga uma proporção muito significativa da população mundial de flamingos-pequenos e constitui um local fundamental para a sua reprodução.
Isso ocorre porque a salinidade, as áreas rasas e as características do terreno ajudam a criar condições adequadas para os seus ninhos; contudo, o equilíbrio é delicado e pode ser afetado por alterações na água, pelas chuvas e pelas atividades humanas.
Referência da notícia
Sascha Paré. (2026). Lago Natron: El lago cáustico de color rojo sangre en Tanzania que convierte a los animales en "piedra".