Temporal no sul de Minas Gerais derruba casas e interdita imóveis

Um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (CEMADEN) revelou índices pluviométricos superiores a 50 mm em cidades como Poços de Caldas, Três Corações, Guaxupé e Andradas ao longo do domingo.

Casa desabou em Jacutinga, no Sul de Minas, após forte chuva. Foto: Prefeitura de Jacutinga
Casa desabou em Jacutinga, no Sul de Minas, após forte chuva. Foto: Prefeitura de Jacutinga

As fortes precipitações registradas no último domingo (25) causaram desabamentos, alagamentos e transtornos em pelo menos quatro municípios do Sul de Minas. A região concentrou os maiores volumes de água do estado de Minas Gerais durante o período.

Casas e muros cederam sob o impacto da força das enxurradas, obrigando famílias a deixarem suas residências em busca de locais seguros. Equipes municipais e a Defesa Civil mantêm o monitoramento contínuo das áreas de encosta com risco de novos desmoronamentos.

Destruição de residências e ações de resgate em Jacutinga

Em Jacutinga, o deslizamento de terra a partir de um terreno elevado derrubou duas casas no bairro Jardim Deia, além de atingir um barracão. Os moradores conseguiram deixar os imóveis a tempo e escaparam sem ferimentos físicos.

Avenida de Poços de Caldas foi invadida por lama em dia de chuva. Foto: João Daniel Alves/EPTV
Avenida de Poços de Caldas foi invadida por lama em dia de chuva. Foto: João Daniel Alves/EPTV

A terra afetou estruturas de contenção e forçou a Defesa Civil a interditar três imóveis de forma preventiva. Durante o resgate de animais soterrados, um gato e um cão foram salvos com vida, enquanto outro cão faleceu durante o atendimento veterinário.

As famílias desabrigadas se dividem entre casas de parentes e abrigos providenciados pelo município. Outro muro de contenção na área segue monitorado pelas equipes técnicas devido ao risco iminente de colapso.

Inundações, lama e salvamento em Poços de Caldas

A cidade de Poços de Caldas registrou o acumulado mais alto do estado, atingindo 73 mm. No Jardim Centenário e na Avenida Vereador Edmundo Cardilo, detritos e lama vindos de um loteamento em obras invadiram pelo menos seis residências e cobriram veículos.

Moradores relataram a surpresa com a rapidez da enxurrada de terra: "A gente estava dormindo, aí eu vi os vizinhos falando que estava alagando a casa, o carro, a garagem. Aí eu acordei para olhar, já não tinha mais nada que ser feito, o barro já tinha tomado conta da garagem, do carro ali, da casa. Graças a Deus, nós conseguimos socorrer a família".

Vizinhos também reforçaram que as queixas sobre o problema eram antigas: "A gente já pediu, já reclamou, mas nenhuma providência foi tomada. Até que aconteceu isso hoje. A hora em que a minha filha acordou, a água estava chegando perto da cama dela. Praticamente estragou tudo, sofá, mesa, os carpetes da casa dela".

A cheia do ribeirão Poços de Caldas alagou a Avenida João Pinheiro, onde o Corpo de Bombeiros resgatou uma mulher arrastada pela correnteza sob uma ponte. A vítima apresentava sinais de hipotermia e seguiu para a UPA.

Danos estruturais e acumulados expressivos em outros municípios

Em Andradas, o índice pluviométrico atingiu 50 mm, provocando o desmoronamento de um muro de uma igreja na Vila Mosconi e a queda de contenção no bairro Davi de Paula. Já em Campestre, a terra moveu a sustentação de um muro de arrimo no Jardim Progresso.

A Defesa Civil de Campestre cobriu a encosta com lonas plásticas para conter a erosão e removeu preventivamente duas famílias. O poder público local custeará a locação de imóveis provisórios até a reconstrução completa da barreira protetora.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) apontam que Campestre acumulou 66 mm, Guaxupé somou 63 mm, Caldas teve 60 mm e Três Corações marcou 58 mm. A tempestade resultou do fluxo de calor e umidade amazônico somado à baixa pressão presente entre o Paraguai e o Nordeste argentino.

Referência da notícia

Bom Dia Cidade. (2026). Chuva forte causa desabamentos de casas e muros em cidades do Sul de Minas.