Vazão das Cataratas do Iguaçu chega a 11,8 milhões de litros e interdita passarela

Técnicos que atuam na gestão da unidade de conservação paranaense aguardam uma redução sustentada nos índices hídricos para planejar uma liberação gradual das áreas que foram suspensas.

Com o fechamento preventivo de trilhas como Poço Preto e Bananeiras, os turistas continuam contemplando as quedas por meio dos mirantes estruturados e da trilha principal. Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Com o fechamento preventivo de trilhas como Poço Preto e Bananeiras, os turistas continuam contemplando as quedas por meio dos mirantes estruturados e da trilha principal. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

O aumento expressivo no fluxo do Rio Iguaçu motivou a interdição preventiva da passarela das Cataratas do Iguaçu, situada em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. A decisão de segurança visa resguardar a integridade dos visitantes diante da força incomum das correntes hídricas que cruzam o parque nacional.

A rápida elevação começou a ser monitorada no domingo (11), quando a vazão alcançou 8,8 milhões de litros de água por segundo durante a manhã. Já nas primeiras horas de segunda-feira (12), novas medições indicaram que o índice subiu para 11,8 milhões de litros por segundo.

Volume d'água atinge patamar quase oito vezes superior à média

Esse volume verificado na segunda-feira representa um índice quase oito vezes maior do que a média histórica do atrativo turístico, que gira em torno de 1,5 milhão de litros por segundo. No domingo, momento em que ocorreu o bloqueio inicial da passarela, a taxa já equivalia a praticamente seis vezes esse valor padrão.

Considerado Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, o parque segue em operação parcial. Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Considerado Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, o parque segue em operação parcial. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Essa sobrecarga substancial no leito está diretamente ligada às precipitações registradas ao longo de toda a bacia hidrográfica do Rio Iguaçu, curso que cruza o estado paranaense. Em decorrência do acumulado hídrico, as cascatas ganharam força desproporcional, transformando a paisagem natural contemplada pelo público visitante.

Para além do fechamento do acesso suspenso que conduz à visão frontal das quedas, outros dois trajetos internos foram interrompidos pela administração: o Caminho das Bananeiras e o do Poço Preto. O bloqueio temporário dessas rotas ecológicas foi estabelecido porque ambos os trechos costumam apresentar pontos de alagamento com o transbordamento da mata ciliar.

O acionamento imediato dessas barreiras físicas respeita os protocolos técnicos e operacionais pré-estabelecidos para contingências climáticas severas dentro da reserva ecológica. As medidas evitam a aproximação de pessoas em pontos onde a força da água oferece riscos evidentes de acidentes estruturais.

Visitação turística permanece ativa nos mirantes e trilhas seguras

Mesmo com as restrições adotadas nos setores mais vulneráveis às inundações, a unidade de conservação continua aberta ao público em geral. Quem viaja até o destino paranaense ainda pode realizar o percurso tradicional pela Trilha das Cataratas e observar as cascatas a partir dos mirantes panorâmicos.

O acompanhamento das oscilações do rio permanece sob a condução conjunta da concessionária Urbia+Cataratas e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que avaliam constantemente os relatórios fluviométricos para determinar o momento exato em que haverá estabilização das correntes.

A desinterdição da passarela depende do recuo sustentado da vazão para patamares seguros e da realização de vistorias minuciosas nas estruturas de sustentação. Até o momento, as entidades administradoras ressaltam que não há uma data previamente definida para o retorno das atividades nesses trechos específicos.

Declarado Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, o Parque Nacional do Iguaçu mantém sua operação focada no equilíbrio entre o turismo ecológico e os mais rigorosos padrões de proteção coletiva.

Referência da notícia

Laura Braga. (2026). Cataratas do Iguaçu registram vazão quase 8 vezes maior que média histórica.