Dia do Meteorologista: você sabe como é feita a previsão do tempo?

O Dia Nacional do Meteorologista no Brasil é celebrado em 14 de outubro, data que remete à regulamentação da profissão em 1980. A seguir, conheça como é feita a previsão do tempo e o papel da ciência por trás dela.

A previsão do tempo é resultado da combinação entre observações atmosféricas, modelos numéricos, supercomputadores e conhecimento científico do profissional da meteorologia. Créditos: Reprodução/Jornal da USP.
A previsão do tempo é resultado da combinação entre observações atmosféricas, modelos numéricos, supercomputadores e conhecimento científico do profissional da meteorologia. Créditos: Reprodução/Jornal da USP.

No Brasil, o Dia Nacional do Meteorologista é celebrado em 14 de outubro, data que marca a regulamentação da profissão pela Lei nº 6.835, de 1980. Em um cenário de mudanças climáticas e de riscos associados a eventos extremos, como chuvas intensas, ondas de calor e secas, o trabalho desses profissionais é cada vez mais importante para antecipar as condições atmosféricas e contribuir para a prevenção de desastres.

Mas você já parou para pensar em tudo o que existe por trás da previsão do tempo que você acompanha nos telejornais, consulta no celular ou lê aqui, na Meteored Brasil? Entre as observações da atmosfera, os cálculos realizados por supercomputadores e a análise dos modelos meteorológicos, existe um longo caminho até que os dados se transformem em uma previsão. E o meteorologista tem um papel fundamental nesse processo.

O que existe por trás dos modelos meteorológicos?

A previsão do tempo é resultado da combinação entre observações atmosféricas, modelos numéricos, supercomputadores e conhecimento científico do profissional da meteorologia.

A atmosfera e suas interações com a superfície são regidas por processos físicos que podem ser descritos matematicamente. Os modelos meteorológicos representam esses processos por meio de equações matemáticas que permitem calcular como as condições da atmosfera evoluem ao longo do tempo, antecipando as condições meteorológicas para as próximas horas e os próximos dias.

Supercomputador Jaci, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em Cachoeira Paulista/São Paulo. Créditos: Reprodução/TV Vanguarda.
Supercomputador Jaci, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em Cachoeira Paulista/São Paulo. Créditos: Reprodução/TV Vanguarda.

Para isso, é necessário conhecer o estado inicial da atmosfera. Essa representação é construída a partir de observações obtidas por estações meteorológicas, satélites, radares, balões atmosféricos, navios e outras fontes de dados, que fornecem informações sobre temperatura, pressão, umidade, ventos e outras variáveis. Essas informações são assimiladas pelos modelos, que utilizam esse estado inicial para calcular a evolução das condições atmosféricas.

Meteorologista coletando dados de uma estação meteorológica.
Meteorologista coletando dados de uma estação meteorológica.

Existem diferentes modelos meteorológicos, cada um com suas formulações, resoluções espaciais e aproximações numéricas. Essas particularidades influenciam a maneira como os processos atmosféricos são representados e explicam por que diferentes modelos podem apresentar previsões distintas para uma mesma região e período.

O papel fundamental do meteorologista na previsão do tempo

Os modelos numéricos são ferramentas fundamentais para a previsão do tempo, mas seus resultados não devem ser interpretados isoladamente.

O meteorologista é o profissional que analisa as simulações, compara os resultados de diferentes modelos e avalia se os cenários previstos são coerentes com observações recentes e com o conhecimento sobre os processos físicos da atmosfera.

Como cada modelo possui suas particularidades e limitações, compreender essas diferenças é essencial para avaliar a confiabilidade das previsões.

Os modelos meteorológicos são apenas parte da história, e a avaliação da saída dos modelos por um profissional com conhecimento científico é fundamental.
Os modelos meteorológicos são apenas parte da história, e a avaliação da saída dos modelos por um profissional com conhecimento científico é fundamental.

Essa análise exige conhecimento científico, experiência e compreensão das características meteorológicas de cada região. O profissional precisa antecipar possíveis erros e vieses dos modelos, avaliar o grau de incerteza dos cenários e identificar situações em que pequenas mudanças nas condições atmosféricas podem alterar significativamente a previsão.

Em episódios de eventos extremos, por exemplo, essa avaliação é especialmente importante para antecipar os riscos associados a chuvas intensas, potenciais inundações, tempestades severas e ondas de calor.

O trabalho do meteorologista também envolve comunicar os resultados de forma clara e acessível, transformando informações técnicas em previsões que possam orientar a população, apoiar a emissão de alertas e auxiliar diferentes setores da sociedade no planejamento de suas atividades.

Assim, a previsão do tempo não depende apenas da capacidade dos modelos e computadores de simular a atmosfera, mas também do conhecimento especializado necessário para interpretar os resultados e compreender suas implicações.

A importância da pesquisa e da ciência para a previsão do tempo

Além de interpretar modelos e elaborar previsões do tempo, os meteorologistas podem atuar em diversas áreas, como agrometeorologia, meteorologia aeronáutica, monitoramento ambiental e, entre outras coisas, a pesquisa científica.

Nos centros de pesquisa e nas universidades, muitos profissionais se dedicam a compreender melhor os processos atmosféricos, aprimorar os modelos numéricos, desenvolver novas técnicas de previsão e investigar como os fenômenos meteorológicos se comportam em diferentes regiões, contribuindo para melhorar a representação de eventos extremos e reduzir as incertezas das previsões.

Os avanços na previsão do tempo, portanto, não dependem apenas de supercomputadores mais potentes ou de modelos cada vez mais complexos. Eles também são resultado do trabalho contínuo de pesquisadores, que produzem conhecimento, testam métodos e buscam soluções para reduzir as incertezas das previsões.

No Brasil, a graduação em Meteorologia é oferecida apenas por universidades públicas, sendo 9 universidades federais e 3 estaduais.
No Brasil, a graduação em Meteorologia é oferecida apenas por universidades públicas, sendo 9 universidades federais e 3 estaduais.

Neste Dia Nacional do Meteorologista, valorizar a profissão também significa reconhecer a importância da ciência, da pesquisa e do investimento contínuo na formação de profissionais e no desenvolvimento de novas tecnologias. Afinal, por trás de cada avanço na capacidade de prever o tempo, existe muito trabalho científico para compreender uma atmosfera em constante transformação.