El Niño pode repetir padrão raro e registrar segundo pico de aquecimento em 2027
O El Niño atual pode apresentar dois picos de aquecimento na região do Niño 1+2, no Oceano Pacífico equatorial próximo à costa do Peru e do Equador. Esse comportamento lembra os eventos históricos de 1982 - 1983 e 1997 - 1998 e pode favorecer a ocorrência de chuvas torrenciais, tempestades e inundações.

Quando falamos sobre o El Niño, nem sempre a evolução das anomalias de temperatura no Oceano Pacífico Equatorial ocorre de maneira linear, e nem sempre há apenas um único pico de aquecimento. Em eventos de El Niño particularmente intensos, às vezes algumas regiões do Oceano podem registrar picos duplos de intensidade.
Essa configuração lembra bastante o que ocorreu nos episódios de 1982–1983 e 1997–1998, dois dos mais intensos eventos de El Niño já registrados. Essa semelhança faz bastante sentido quando consideramos que o El Niño atual pode acabar se mostrando ainda mais intenso que os anteriores.
O que aconteceu em 1982-1983 e em 1997-1998
O El Niño de 1982–1983 foi um dos mais intensos do século passado, e uma das suas características mais interessantes foi justamente a persistência de águas excepcionalmente quentes no extremo leste do Pacífico equatorial (Niño 1+2), com dois picos ocorrendo entre o final de 1982 e Junho de 1983.

O El Niño de 1997–1998 também apresentou um aquecimento igualmente excepcional, com uma rápida intensificação em 1997 especialmente no extremo leste do Pacífico. Durante o enfraquecimento do El Niño na região 3.4, também houve um segundo pico de intensidade na região do Niño 2, como é possível visualizar na imagem acima.
Um estudo de Chunzai Wang e Robert H. Weisberg (2000) ressalta que, nesse El Niño em particular, houve dois picos de aquecimento na região do Niño 2: A primeira no final de 1997, próximo ao auge do El Niño; e a segunda durante a primavera de 1998, já durante o enfraquecimento do fenômeno como um todo.
Como isso se reflete no El Niño atual, de 2026-2027
As últimas atualizações da previsão dos principais centros internacionais indicam que o atual episódio de El Niño está se desenvolvendo com intensidade excepcional, com uma altíssima probabilidade de que continue muito forte até meados de março de 2027, e permaneça ativo até o final do outono de 2027, embora com enfraquecimento gradual.

As previsões do ECMWF indicam que haverá um segundo pico de aquecimento na região do Niño 1+2 em 2027, o que mostra que este El Niño será muito similar aos outros eventos de grande intensidade registrados no passado, que também apresentaram comportamento similar.
Embora essa região do Oceano Pacífico não esteja conectada a grandes impactos no clima Brasileiro, ela pode influenciar de maneira severa o clima sobre o Peru e o Equador ao longo de 2027. Há previsão de tempestades severas e chuvas torrenciais devido ao aquecimento oceânico próximo à costa.
Isso pode levar a crises humanitárias e socioeconômicas nestes países, com a formação de inundações catastróficas, grandes deslizamentos de terra, impactos severos na agricultura e colapso da pesca local, além de causar reflexos econômicos em toda a América do Sul e em outros continentes.
Referência da notícia
Pavlakis, K. G. et al. (2000). The 1997–98 El Niño Evolution Relative to Previous El Niño Events.