Agropecuária cresce 561% no entorno de áreas protegidas da Amazônia em 41 anos

Levantamento do MapBiomas revela avanço das atividades agropecuárias próximas a Terras Indígenas, territórios quilombolas e Unidades de Conservação, destacando a pressão sobre a vegetação nativa e os desafios para a conservação.

Em 2025, a agropecuária ocupava 65,2 milhões de hectares na Amazônia. Crédito: Divulgação/SSP-AM
Em 2025, a agropecuária ocupava 65,2 milhões de hectares na Amazônia. Crédito: Divulgação/SSP-AM

A área ocupada pela agropecuária no entorno de territórios protegidos da Amazônia cresceu 561% entre 1985 e 2025. O avanço ocorreu principalmente nas proximidades de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios quilombolas, ampliando a pressão sobre regiões fundamentais para a preservação da biodiversidade.

Os dados foram divulgados em 14 de outubro pelo MapBiomas, a partir de um recorte da Coleção 11, que reúne informações sobre a cobertura e o uso da terra no Brasil durante 41 anos. O levantamento mostra que, em 2025, a agropecuária ocupava 30,5% das áreas situadas no entorno dos territórios protegidos.

No conjunto do bioma amazônico, as atividades agropecuárias ocupavam aproximadamente 65,2 milhões de hectares. Desse total, 13,6 milhões de hectares estavam localizados nas áreas próximas aos territórios onde a legislação estabelece mecanismos de proteção da vegetação nativa.

Estradas intensificam pressão sobre áreas protegidas

O estudo também identificou uma relação entre a expansão agropecuária e a proximidade das estradas. Foram mapeados 618 mil quilômetros de vias na Amazônia, incluindo trechos que não integram a malha rodoviária oficial.

Nas áreas situadas a até cinco quilômetros dessas vias, a agropecuária ocupa 63 milhões de hectares, correspondentes a 40,2% do território analisado. Essa extensão representa mais de 96% de toda a área agropecuária do bioma.

Segundo Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e integrante do MapBiomas Amazônia, as estradas facilitam o acesso à vegetação nativa e favorecem a conversão do uso da terra. Essa dinâmica pode estimular a expansão agropecuária, a mineração e outras atividades nas proximidades e no interior de áreas protegidas.

Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa

O levantamento também atualizou os indicadores de desmatamento na Amazônia. Em 2025, foram registrados 693 mil hectares desmatados, o menor valor da série histórica apresentada pelo estudo.

Agro cresce 561% no entorno de áreas protegidas na Amazônia em 41 anos. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil
Agro cresce 561% no entorno de áreas protegidas na Amazônia em 41 anos. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Desse total, 639 mil hectares correspondiam à vegetação primária, formada por ecossistemas que não haviam sofrido intervenções significativas. Outros 54 mil hectares eram de vegetação secundária, caracterizada por áreas em processo de regeneração natural.

Entre 1985 e 2025, o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. As formações florestais foram as mais afetadas, com redução de 49,7 milhões de hectares, equivalente a 14,8% de sua extensão.

Pastagens concentram maior parte da ocupação agropecuária

Em 2025, a agropecuária ocupava aproximadamente 15,5% do território amazônico. As pastagens representavam a maior parcela, com 50,8 milhões de hectares, enquanto a agricultura abrangia outros 8,6 milhões de hectares.

A mineração também apresentou crescimento expressivo. Sua área passou de 32 mil hectares, em 1985, para 440 mil hectares em 2025, uma expansão de aproximadamente 14 vezes.

Os resultados reforçam a importância do monitoramento territorial e de estratégias de conservação para conter a pressão sobre a vegetação nativa, especialmente nas regiões próximas a territórios protegidos, essenciais à biodiversidade e às populações tradicionais da Amazônia.

Referência da notícia

Portal Amazônia. (2026). Em 41 anos, agropecuária cresceu 561% no entorno das áreas protegidas da Amazônia.