Esta cidade é a mais alta do mundo e a mais perigosa do Peru: como as pessoas sobrevivem lá?

Na cidade mais alta do mundo, que fica no Peru, as condições de sobrevivência são adversas. Os moradores têm expectativa de vida de apenas 35 anos, e isso não é por causa do ar rarefeito. Veja qual é e como é viver por lá.

A cidade de La Rinconada (Peru) parece uma grande favela. Crédito: Renderas Business/Gustavo Moure.
A cidade de La Rinconada (Peru) parece uma grande favela. Crédito: Renderas Business/Gustavo Moure.

A cidade mais alta do mundo fica no Peru e é a mais perigosa do país. Estamos falando de La Rinconada, localizada a cerca de 5.100 metros acima do nível do mar na Cordilheira dos Andes.

A sua população tem expectativa de vida baixa, de apenas 35 anos, sobrevivendo em meio à condições adversas. E engana-se quem acha que isso tem a ver com o ar rarefeito (pouco oxigênio) por lá… as pessoas se adaptaram à altitude, mas elas enfrentam condições precárias de trabalho, falta de saneamento básico, violência, entre outros.

A cidade que nasceu da corrida do ouro é considerada a mais perigosa do Peru por vários motivos. Então, como as pessoas sobrevivem por lá? Te contamos abaixo.

Como é viver em La Rinconada?

A cidade sofre com a falta de infraestruturas, pobreza extrema e a economia informal e ilegal em torno da mineração de ouro que atrai criminalidade e desorganização social.

Isolada, a cidade tem condições precárias: não possui saneamento básico, água encanada, coleta de lixo, hospitais, escolas e estradas asfaltadas. A água utilizada vem do degelo da montanha.

La Rinconada é apelidada de "paraíso do diabo" devido à sua precariedade de infraestrutura básica e condições extremas de trabalho.

As ruas ficam cobertas de lama misturada com esgoto, lixo acumulado e resíduos tóxicos. Há pouca presença policial e governamental, fazendo com que o local funcione quase sem leis formais.

A economia da região vem da mineração de ouro, mas de forma predatória e ilegal. Os trabalhadores que extraem ouro de minas não têm salário fixo, mas podem ficar com uma parte do ouro extraído. Sem pagamento justo, isso gera miséria e trabalho forçado.

La Rinconada (Peru), considerado um dos lugares mais infernais do planeta. Crédito: Divulgação.
La Rinconada (Peru), considerado um dos lugares mais infernais do planeta. Crédito: Divulgação.

Além disso, o uso de mercúrio no processo de mineração do ouro é altamente prejudicial para o meio ambiente, contaminando solo e água, e para a saúde dos moradores, causando problemas de saúde como danos neurológicos e reprodutivos.

As pessoas adoecem e morrem lentamente devido a doenças pulmonares e infecções respiratórias, já que vivem em condições insalubres, em meio ao lixo e esgoto, e sem cuidados médicos.

Isso tudo contribui para a baixa expectativa de vida da população de apenas 30 a 35 anos, pouco mais da metade da média nacional peruana.

Condições de vida precárias em La Rinconada, no Peru. Crédito: Divulgação.
Condições de vida precárias em La Rinconada, no Peru. Crédito: Divulgação.

E tem mais… a ausência de um sistema de leis efetivo contribui para um ambiente de alta criminalidade e violência. A cidade liderou um ranking de taxa de homicídios feito pelo Observatório de Crime e Violência do Peru. Segundo o La Republica, entre 16 de junho de 2024 e 15 de junho de 2025, a cidade registrou uma taxa de homicídios de 52,9 por 100 mil habitantes.

Acidentes de trabalho por lá são frequentes, assim como casos de exploração sexual. E é comum ver até crianças trabalhando nas minas de ouro. E ainda assim, muitas pessoas continuam migrando para La Rinconada com a promessa de riqueza.

Desafio da altitude extrema

A cidade está localizada em um território árido e congelado, com temperaturas que podem chegar a -11°C e de ar rarefeito. Os níveis de oxigênio por lá podem ser até 50% menores aos do nível do mar, o que provoca o chamado ‘mal de montanha crônico’. Estima-se que até 25% da população sofra desta condição, que causa fadiga, dores de cabeça, insônia e perda de apetite.

Um novo habitante em La Rinconada leva cerca de 1 mês para se adaptar completamente à baixa concentração de oxigênio.

As mulheres não podem entrar nas minas de ouro. Algumas delas ficam ao redor da entrada das minas tentando recuperar alguma quantidade de ouro que esteja perdida em meio ao minério descartado. Crédito: SOPA Images/Getty Images/Reprodução.
As mulheres não podem entrar nas minas de ouro. Algumas delas ficam ao redor da entrada das minas tentando recuperar alguma quantidade de ouro que esteja perdida em meio ao minério descartado. Crédito: SOPA Images/Getty Images/Reprodução.

Mas ainda assim, as pessoas se adaptaram à falta de oxigênio. O organismo aumenta a produção de glóbulos vermelhos e, consequentemente, de hemoglobina, o que melhora o transporte de oxigênio pelo corpo.

Ou seja, a população se adaptou às condições climáticas; o que provoca a baixa expectativa de vida no local é são as condições insalubres e os riscos da atividade mineradora.

Referências da notícia

Redação UOL SP. (2025). Na cidade mais alta do mundo, pessoas morrem aos 35 - mas não pela altitude.
Redação El Tiempo — Bogotá. (2024). 'Paraíso do diabo’: saiba como é a vida na cidade mais alta do mundo, localizada a 5.100m acima do nível do mar.