Manaus transforma viadutos em galerias de arte com murais inspirados na cultura amazônica

Projeto de revitalização urbana reúne grafiteiras para transformar viadutos de Manaus em espaços culturais, com pinturas que valorizam lendas, ancestralidade indígena, paisagens amazônicas e a identidade artística da região.

Obra de arte urbana colore a descida de passagem viária em Manaus com símbolos da cultura e do cotidiano amazônico. Crédito: Divulgação/Prefeitura de Manaus
Obra de arte urbana colore a descida de passagem viária em Manaus com símbolos da cultura e do cotidiano amazônico. Crédito: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Viadutos e passagens viárias de Manaus, no Amazonas, estão ganhando novas cores por meio de um projeto que combina recuperação da infraestrutura urbana e valorização da cultura amazônica. As estruturas recebem murais inspirados nas paisagens, tradições e manifestações culturais da região, transformando espaços de circulação em galerias de arte a céu aberto.

Lançado no fim de agosto de 2026, o projeto Manaus em Cores: Arte que Protege começou com uma etapa dedicada exclusivamente ao trabalho de mulheres grafiteiras. A iniciativa busca ampliar a presença feminina na arte urbana e dar visibilidade às diferentes expressões culturais da Amazônia.

As primeiras intervenções ocorreram no viaduto Dom Jackson Damasceno Rodrigues, conhecido como viaduto do Olímpico, localizado no cruzamento das avenidas Constantino Nery e Rodovia Álvaro Maia, entre o centro e a zona sul da capital amazonense.

Mulheres grafiteiras retratam lendas e ancestralidade amazônica

A primeira fase reuniu as artistas Alie, Deborah Erê, Sarah Ferreira, Mia Montreal e Oli. Com diferentes estilos e trajetórias, algumas delas com mais de duas décadas de experiência, as grafiteiras transformaram as pilastras do viaduto em grandes painéis dedicados à cultura regional.

Nas pilastras do viaduto, mitos e símbolos da Amazônia ganham diferentes interpretações pelas mãos de artistas da terra. Crédito: Reprodução Instagram Débora Ere
Nas pilastras do viaduto, mitos e símbolos da Amazônia ganham diferentes interpretações pelas mãos de artistas da terra. Crédito: Reprodução Instagram Débora Ere

Entre os trabalhos está o mural da artista e professora Deborah Erê, que apresenta uma interpretação da lenda da Iara. A composição retrata a mãe-d'água dominando o leito de um rio, segurando o anzol de um pescador e cercada por crânios submersos.

A artista Oli também buscou inspiração nas narrativas amazônicas. Seu mural utiliza elementos do realismo expressivo para representar a ancestralidade indígena e a lenda do guaraná, destacando o rosto de uma mulher adornado com frutos da planta.

Intervenções acompanham recuperação de dez viadutos

As pinturas fazem parte de um programa da Prefeitura de Manaus voltado à recuperação de dez viadutos. Além das intervenções artísticas, os serviços incluem reparos em fissuras, juntas de dilatação, drenagem, iluminação e paisagismo.

Passagem entre as avenidas Constantino Nery e Theomário Pinto recebeu obras de diversos artistas, incluindo Teo Onda e André Hullk. Crédito: Divulgação/Prefeitura de Manaus
Passagem entre as avenidas Constantino Nery e Theomário Pinto recebeu obras de diversos artistas, incluindo Teo Onda e André Hullk. Crédito: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Para diminuir os impactos sobre o trânsito, parte das obras ocorre durante a noite e a madrugada. O projeto é desenvolvido pelo Conselho Municipal de Cultura (Concultura), em parceria com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

Outros espaços públicos também receberam intervenções. Na passagem entre as avenidas Constantino Nery e Theomário Pinto, artistas como André Hullk e Teo Onda produziram murais com referências regionais. Uma das pinturas homenageia os bois do Festival de Parintins.

Arte urbana amplia espaço para diferentes identidades

A iniciativa em Manaus acompanha um movimento de valorização da participação feminina no grafite brasileiro. Artistas de diferentes regiões utilizam os espaços urbanos para abordar temas como ancestralidade, maternidade, identidade cultural, feminismo e questões raciais.

Entre os nomes reconhecidos nacionalmente estão Aline Bispo, Minhau, Panmela Castro e Criola, cujas produções exploram diferentes linguagens e experiências sociais.

Ao integrar arte e infraestrutura, o projeto amplia a presença de manifestações culturais no cotidiano da cidade. Os murais transformam estruturas viárias em espaços de expressão artística e aproximam moradores das histórias e tradições amazônicas.

Referência da notícia

CNN Brasil. (2026). Manaus transforma viadutos em galerias a céu aberto com arte amazônica.