Cerveja em risco: chuva no RS ameaça a qualidade da cevada e preocupa produtores

A nova rodada de chuva encontra parte da cevada gaúcha com restrições para malteação. Germinação, tamanho dos grãos e sanidade exigem atenção, enquanto a possível trégua na próxima semana orienta o planejamento da colheita e da secagem.

Cevada gaúcha enfrenta restrições de qualidade na entrega à indústria.
Cevada gaúcha enfrenta restrições de qualidade na entrega à indústria.

A chuva prevista para 24 e 25 de outubro renova a preocupação com cevada e trigo no Rio Grande do Sul, especialmente no acompanhamento das lavouras do Planalto Médio, do Noroeste e do Norte gaúcho. A área estadual de cevada soma 21.591 hectares, e parte dos lotes já enfrenta restrições para malteação.

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O problema chega à propriedade antes da entrega: grãos com germinação insuficiente, tamanho inadequado ou comprometimento sanitário podem perder o destino industrial esperado. Nas lavouras maduras, a prioridade é combinar colheita, capacidade de secagem e classificação. A produtividade, isoladamente, não assegura o aproveitamento pela cadeia cervejeira.

Chuva de 24 e 25 aumenta a exposição das espigas

A aproximação e a passagem de uma baixa pressão devem aumentar a nebulosidade e provocar chuva na maioria das regiões gaúchas no sábado, 24, e no domingo, 25. No Planalto Médio, no Noroeste e no Norte, o planejamento precisa considerar também rajadas pontuais e condições de acesso às lavouras. A sequência pode interromper operações e prolongar a permanência das espigas maduras no campo.

Previsão de probabilidade de chuva para sábado (24), às 15h.
Previsão de probabilidade de chuva para sábado (24), às 15h.

A previsão indica acumulados predominantemente entre 0 e 50 mm para 22 a 28 de outubro, intervalo mais amplo que o fim de semana. Esse total não deve ser aplicado uniformemente aos talhões. Para a cevada em maturação, importa também a repetição do molhamento e o tempo disponível para secagem; no trigo, cuja colheita estadual alcançou 19%, novas interrupções podem ampliar a exposição dos grãos.

No Planalto Médio, rendimento não garante destino cervejeiro

A atualização agrícola registra cevada predominantemente em fase reprodutiva, com áreas maduras e colheita no Planalto Médio. A produtividade estadual estimada é de 3.114 kg/ha, frente aos 3.020 kg/ha inicialmente esperados. Mesmo assim, parte dos lotes foi desclassificada em avaliações prévias.

No Norte, no Noroeste e no Planalto Médio, cada entrega exige análise própria: a situação estadual não significa rejeição generalizada.

A malteação depende de grãos vivos, capazes de germinar de maneira adequada. A exposição à chuva na colheita pode comprometer essa capacidade. O levantamento também relata tamanho dos grãos abaixo do desejado e problemas com desoxinivalenol (DON), micotoxina associada a fungos do gênero Fusarium.

Grãos de cevada precisam atender aos padrões de germinação, tamanho e sanidade para serem destinados à produção de malte.
Grãos de cevada precisam atender aos padrões de germinação, tamanho e sanidade para serem destinados à produção de malte.

Sem resultados por lote, não é possível quantificar a contaminação regional. A perda potencial está na aptidão da matéria-prima; avaliar sua destinação exige classificação e controle sanitário.

Trégua de 26 a 28 pode favorecer colheita e secagem

Na segunda-feira, 26, a previsão indica chuva restrita ao Nordeste gaúcho e maior estabilidade nas demais regiões. Entre terça, 27, e quarta, 28, não há previsão de precipitação significativa na maior parte do estado. No Planalto Médio, no Norte e no Noroeste, essa mudança poderá favorecer operações, desde que o solo suporte máquinas e os grãos atinjam condição adequada. A ausência de chuva não significa secagem imediata das espigas.

Previsão de probabilidade de chuva para segunda-feira (26), às 15h, com tempo predominantemente seco no Sul do Brasil.
Previsão de probabilidade de chuva para segunda-feira (26), às 15h, com tempo predominantemente seco no Sul do Brasil.

As indicações técnicas recomendam colher em dias secos e, preferencialmente, com umidade dos grãos abaixo de 15%. Evitar grãos verdes e regular a colhedora ajuda a preservar integridade e germinação.

A secagem deve acompanhar a retirada do campo sem demora, com temperatura ajustada à umidade inicial e ao destino contratado. A avaliação agronômica local deve orientar a sequência de talhões e a retomada do maquinário.

  • Planalto Médio, 24 e 25: organizar recebimento e secagem para aproveitar eventuais intervalos operacionais.
  • Norte gaúcho, 26 a 28: medir a umidade dos grãos antes de mobilizar a colhedora.
  • Noroeste, abaixo de 15% de umidade: conferir maturação e classificação antes de reunir lotes.