Seca do rio Madeira afeta 22,9 mil pessoas e dificulta acesso à água e à educação em Rondônia

Estiagem severa transforma paisagem do rio Madeira, prejudica comunidades ribeirinhas e compromete atividades agrícolas, abastecimento de água e transporte escolar. Prefeitura de Porto Velho decretou situação de emergência por 180 dias.

Estiagem severa do Rio Madeira ameaça educação, economia e alimentação das comunidades. Crédito: Divulgação SGC
Estiagem severa do Rio Madeira ameaça educação, economia e alimentação das comunidades. Crédito: Divulgação SGC

A seca do rio Madeira, em Rondônia, tem provocado dificuldades para milhares de famílias que vivem às margens do curso d'água. A redução do nível do rio compromete o abastecimento de água potável, o transporte fluvial, a produção agrícola e o acesso à educação em comunidades ribeirinhas de Porto Velho.

Segundo a prefeitura, aproximadamente 22,9 mil pessoas são afetadas pela estiagem em 85 localidades, incluindo comunidades ribeirinhas, áreas rurais e aldeias indígenas. A situação levou o município a decretar estado de emergência por 180 dias, permitindo a adoção de medidas para atender a população.

Dados do Sistema de Proteção da Amazônia (SipamHidro) mostram que o rio Madeira está mais de um metro abaixo do nível esperado para o período. Na terça-feira (6), a medição registrou 2,62 metros, enquanto a média prevista era de 3,9 metros.

Falta de água e prejuízos à agricultura

Na comunidade Bom Será, moradores enfrentam dificuldades para conseguir água potável. A presidente da associação local, Elizete Mota Leite, relata que a região não possui um poço próprio capaz de atender todas as famílias, obrigando os moradores a buscar alternativas de abastecimento.

Morador de comunidade ribeirinha enche recipiente com água potável. Crédito: Divulgação Revista Cenarium
Morador de comunidade ribeirinha enche recipiente com água potável. Crédito: Divulgação Revista Cenarium

A agricultora Maria Rita também enfrenta prejuízos provocados pela estiagem. Segundo ela, a dificuldade de acesso ao bananal impediu o transporte da produção durante quase quatro meses, causando a perda de parte dos frutos antes da comercialização.

A situação evidencia a dependência das comunidades ribeirinhas em relação ao rio, utilizado tanto para o deslocamento de pessoas quanto para o escoamento da produção agrícola. Com a formação de extensos bancos de areia, atividades essenciais à subsistência das famílias ficam comprometidas.

Transporte escolar também é prejudicado

Na comunidade Brasileira, a agricultora Telma Temes da Silva, moradora da região há 41 anos, relata mudanças profundas na paisagem. Áreas anteriormente cobertas pelas águas do Madeira deram lugar a extensas faixas de areia e terra.

"O nosso rio passava aqui, hoje não é rio mais", afirmou Telma, demonstrando preocupação com as transformações observadas ao longo das últimas décadas.

A estiagem também afeta o acesso à educação. O filho da agricultora, que estuda na comunidade de São Carlos, precisa caminhar entre quatro e cinco quilômetros para alcançar o ponto de embarque do transporte escolar fluvial.

Município adota medidas emergenciais

O decreto de emergência, válido por 180 dias, classifica a estiagem como desastre de nível II. A medida permite solicitar apoio estadual e federal para distribuir água potável por caminhões-pipa e embarcações, além de facilitar contratações emergenciais.

Segundo o diretor executivo da Defesa Civil Municipal, Marcelo Duarte, o fenômeno El Niño agravou a estiagem de 2026. Embora a redução das chuvas seja característica do verão amazônico, entre julho e novembro, os impactos deste ano ultrapassaram as condições habituais.

A situação reforça a vulnerabilidade das comunidades amazônicas diante dos eventos climáticos extremos e a necessidade de medidas que assegurem o acesso à água, à educação e aos meios de subsistência.

Referência da notícia

G1. (2026). Seca do rio Madeira dificulta acesso à água e à escola em comunidades ribeirinhas de RO: 'Hoje não é mais rio'.