Temporais causam ventos de 126 km/h e afetam mais de 30 cidades no Sul e Sudeste

Danos a escolas públicas mobilizaram vistorias urgentes da Defesa Civil estadual, enquanto fortes rajadas de vento provocaram o desabamento das paredes de um pavilhão religioso desocupado.

Registro de microexplosão atmosférica em Cachoeira Paulista. Foto: Reprodução
Registro de microexplosão atmosférica em Cachoeira Paulista. Foto: Reprodução

Uma frente de instabilidade acompanhada por rajadas intensas de vento causou destruição generalizada em dezenas de municípios das regiões Sul e Sudeste neste sábado (7). Os temporais provocaram destelhamentos, quedas maciças de árvores, alagamentos e cortes de eletricidade nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Diante do volume de ocorrências, órgãos de emergência mobilizaram equipes técnicas e dispararam avisos em massa para as populações em áreas de risco iminente. As tempestades mobilizaram bombeiros e concessionárias de energia, deixando centenas de milhares de residências desabastecidas ao longo de todo o dia.

Ventos extremos e danos generalizados no estado de São Paulo

No interior paulista, a cidade de Cachoeira Paulista enfrentou ventos de 126,7 km/h decorrentes de uma microexplosão atmosférica, fenômeno marcado por fortes correntes descendentes de ar que se espalham em alta velocidade pelo solo. O temporal provocou o destelhamento parcial de cerca de 20 casas, além de derrubar árvores e interromper a energia elétrica local. Representantes da Defesa Civil estadual ressaltaram que rajadas nessa magnitude apresentam elevado potencial destrutivo contra coberturas residenciais e vegetação de grande porte.

Chuva intensa provocou alagamento na região do Taquaral, em Campinas (SP). Foto: Reprodução
Chuva intensa provocou alagamento na região do Taquaral, em Campinas (SP). Foto: Reprodução

Os ventos fortes também castigaram outras cidades do interior e da Região Metropolitana. Penápolis registrou rajadas de 118 km/h, Piracicaba anotou 96,1 km/h e o Vale do Ribeira teve marcas de 80 km/h. Em Barueri, a força da chuva derrubou o forro de isopor de uma unidade do Lopes Supermercados, assustando clientes e motivando a interdição temporária do imóvel para reparos estruturais, sem deixar pessoas feridas.

Chuva derrubou forro de supermercado em Barueri, SP. Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Chuva derrubou forro de supermercado em Barueri, SP. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Na região de Itapetininga, a queda de árvores interditou a rodovia SP-157 e destelhou um galpão em Guareí, enquanto Tatuí contabilizou 91 árvores caídas, Boituva registrou granizo e Fartura anotou duas quedas de vegetação. Na região metropolitana de Campinas, ventos de até 70 km/h em Viracopos causaram 22 atendimentos, alagaram vias em Hortolândia e derrubaram uma árvore sobre o prédio administrativo de uma escola estadual em Americana.

Temporal provocou a queda do telhado de um galpão em Guareí (SP). Foto: Portal Guareí/Divulgação
Temporal provocou a queda do telhado de um galpão em Guareí (SP). Foto: Portal Guareí/Divulgação

Simultaneamente, outros municípios paulistas contabilizaram estragos consideráveis ao longo da tarde. Sorocaba registrou acumulado de 96 mm em três dias e teve importantes avenidas interditadas pelo transbordamento de cursos d'água, enquanto Canas acumulou 62 mm. Para alertar os moradores sobre o perigo constante, a Defesa Civil do Estado de São Paulo enviou 72 alertas preventivos para telefones celulares.

Transtornos urbanos no Rio de Janeiro e feridos em Minas Gerais

Na capital fluminense e na Baixada Fluminense, a tempestade veio acompanhada por rajadas de 97 km/h em Seropédica e de 80 km/h no Aeroporto do Galeão, forçando o desvio de quatro voos comerciais. O município do Rio entrou no estágio operacional 2 após registrar seis pontos de alagamento em avenidas expressas, a queda de uma árvore no Elevado Paulo de Frontin e a paralisação do tráfego na Ponte Rio-Niterói.

Rua alagada em Duque de Caxias, RJ. Foto: Reprodução
Rua alagada em Duque de Caxias, RJ. Foto: Reprodução

No bairro carioca do Méier, o temporal derrubou o muro do Colégio Estadual Visconde de Cairu, sem deixar vítimas. Moradores e comerciantes locais denunciaram publicamente que a estrutura já apresentava problemas de conservação há mais de um ano. Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Educação informou que a área foi isolada preventivamente e que os trabalhos de reconstrução começam na segunda-feira (9).

Bolsão d'água na Praia de Botafogo, no RJ. Foto: g1
Bolsão d'água na Praia de Botafogo, no RJ. Foto: g1

Em Belo Horizonte, parte da cobertura de um circo instalado no Minas Shopping desabou sob o impacto das chuvas no bairro União. O incidente deixou três pessoas feridas, que foram prontamente socorridas por viaturas do Samu e por parentes para atendimento médico hospitalar. Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, rajadas de vento de até 40 km/h derrubaram oito árvores, bloqueando vias e atingindo um muro residencial e um carro estacionado.

Apagão massivo no Paraná e rastro de destruição no Rio Grande do Sul

No Paraná, a tempestade causou a interrupção no fornecimento de energia elétrica em pelo menos 275 mil imóveis atendidos pela concessionária Copel. Curitiba concentrou 107.358 unidades sem eletricidade, ventos de 72,72 km/h, terminais de ônibus no escuro e 40 árvores caídas, enquanto Pinhais registrou a queda do telhado de um estacionamento de condomínio.

O interior paranaense também enfrentou rajadas severas, medidas em 90,7 km/h em Santa Maria do Oeste e 80,3 km/h em Laranjeiras do Sul, onde desabaram as paredes da igreja Comunidade São Francisco de Assis. Integrantes da administração paroquial lamentaram o colapso do imóvel comunitário, que já havia perdido metade do telhado em um vendaval anterior.

Chuva com granizo atingiu casas na Serra Gaúcha e moradores fizeram filas para retirar lonas. Foto: Prefeitura de Bento Gonçalves
Chuva com granizo atingiu casas na Serra Gaúcha e moradores fizeram filas para retirar lonas. Foto: Prefeitura de Bento Gonçalves

No Rio Grande do Sul, vendavais e precipitações de granizo castigaram fortemente as cidades da Serra e do Noroeste. Em Bento Gonçalves, centenas de imóveis ficaram destelhados e mais de 350 famílias retiraram lonas na sede dos bombeiros, além de um motorista sofrer ferimentos leves após uma árvore atingir seu carro. Em Santo Augusto, um vendaval com suspeita de tornado atingiu 50 habitações e deixou uma pessoa ferida, que recebeu cuidados médicos e alta em seguida.

Referências da notícia

Redação g1 SP. (2026). Temporais provocam destelhamentos e falta de energia no estado de SP; cidade do interior tem microexplosão atmosférica.
g1 PR e RPC. (2026). Chuvas no Paraná: estado tem 275 mil imóveis sem energia elétrica, quedas de árvores e desabamento de pavilhão de igreja.
Secom Sorocaba. (2026). Prefeitura de Sorocaba mantém atendimentos a ocorrências causadas pelas fortes chuvas deste sábado (7).