Ir até Marte pode partir seu coração: a Ciência mostra como a radiação cósmica deixa cicatrizes nos vasos sanguíneos
Uma viagem tripulada a Marte pode representar riscos à saúde dos astronautas devido à exposição prolongada à radiação cósmica. Um novo estudo realizado com ratos identificou alterações nos vasos sanguíneos do coração após exposição a níveis de radiação semelhantes aos esperados em uma missão ao planeta vermelho.

Uma missão tripulada a Marte representa um dos maiores desafios da exploração espacial devido aos efeitos da exposição prolongada ao ambiente interplanetário sobre o organismo humano. Nesse ambiente, partículas energéticas provenientes de raios cósmicos galácticos e eventos solares podem atravessar tecidos biológicos e provocar danos celulares.
Entre os principais riscos está o comprometimento do sistema cardiovascular, especialmente dos vasos sanguíneos responsáveis pelo fornecimento de oxigênio ao músculo cardíaco. Um estudo realizado com ratos investigou os efeitos da radiação e identificou alterações na estrutura vascular do coração.
Além da radiação, astronautas em missões de longa duração enfrentam perda de massa óssea, atrofia muscular e alterações na regulação cardiovascular provocadas pela microgravidade. A combinação desses fatores pode comprometer a capacidade física da tripulação durante a viagem.
Marte
Marte é um dos planetas mais próximos da Terra e um dos principais alvos da exploração espacial devido às suas características. Localizado além da órbita terrestre, o planeta vermelho apresenta uma superfície sólida, uma atmosfera composta por dióxido de carbono e evidências de água líquida em seu passado.
A distância entre Terra e Marte varia ao longo de suas órbitas, podendo atingir aproximadamente 55 milhões de quilômetros. O planeta possui um dia de cerca de 24 horas e 37 minutos, gravidade equivalente a 38% da terrestre e reservas de gelo de água, características relevantes para uma possível presença humana.
Marte pode partir seu coração
Durante uma viagem a Marte, os astronautas ficam expostos à radiação cósmica galáctica e às partículas energéticas liberadas por erupções solares. Essas partículas podem atravessar os tecidos humanos, ionizar moléculas e provocar danos ao DNA, além de desencadear processos inflamatórios.

Um dos efeitos mais preocupantes envolve o coração, especialmente os pequenos vasos sanguíneos responsáveis pela circulação no músculo cardíaco. A radiação ionizante pode danificar as células que revestem esses vasos, prejudicando sua capacidade de regular o fluxo sanguíneo e manter a integridade vascular.
O que os experimentos com ratos revelaram
Para investigar esses efeitos, pesquisadores usaram ratos expostos experimentalmente a condições de radiação semelhantes à de uma missão a Marte. O objetivo foi analisar como partículas energéticas afetam o sistema cardiovascular, especialmente a estrutura e o funcionamento dos vasos sanguíneos do coração.
Os resultados identificaram alterações vasculares após a exposição, sugerindo que a radiação pode produzir efeitos biológicos persistentes. Os resultados indicam que os riscos da radiação espacial não se limitam ao desenvolvimento de câncer, podendo envolver também alterações na circulação sanguínea.
Missões para o planeta vermelho
A NASA considera a exploração humana de Marte um dos principais objetivos de longo prazo de seu programa espacial. A estratégia Moon to Mars prevê utilizar a experiência adquirida com o programa Artemis, voltado à exploração lunar, para desenvolver tecnologias necessárias a viagens interplanetárias.

A SpaceX também desenvolve tecnologias destinadas ao transporte de seres humanos até a superfície marciana, principalmente por meio do sistema Starship. Apesar dos planos anunciados, o cronograma para estabelecer uma presença humana no planeta permanece incerto.
Referência da notícia
Lenarczyk et al.. (2026). Multiple simulated spaceflight stressors impact cardiac fibrosis, calcium dynamics, immune function, cytokines and gene variants in rat, Rattus norvegicus.