Trigo no RS: tempo firme deve acelerar trabalho no campo e salvar qualidade dos grãos
Com pouco mais da metade do trigo colhido no Rio Grande do Sul, a redução da chuva entre domingo e quarta pode ampliar os trabalhos no campo, enquanto diferenças regionais e qualidade dos grãos exigem atenção local.

A previsão indica tempo predominantemente firme entre domingo (8) e quarta-feira (11) no Rio Grande do Sul, abrindo uma janela para a colheita do trigo e o plantio da soja. Em Ijuí, Passo Fundo e Santa Maria, o benefício dependerá das condições de cada lavoura. O trigo tinha 53% da área estadual colhida em 5 de novembro.
Antes dessa melhora, a chuva ainda pode interromper trabalhos na metade norte gaúcha até sábado (7). Depois, a redução das precipitações tende a facilitar a secagem dos grãos e o acesso das máquinas, desde que o solo recupere capacidade de sustentação. A oportunidade é retirar o cereal maduro do campo e liberar áreas para a safra de verão.
Chuva no norte até sábado, seguida de quatro dias mais firmes
Entre sexta-feira (6) e sábado (7), a instabilidade permanece mais concentrada na metade norte do estado. Áreas produtoras de Erechim, Passo Fundo e Frederico Westphalen exigem acompanhamento das pancadas antes de organizar a entrada das colheitadeiras. Nas demais regiões, a previsão estadual indica predomínio de condições estáveis, sem chuva significativa, já nesse primeiro momento.

De domingo (8) a quarta-feira (11), o cenário favorece quatro dias com pouca interferência da chuva em grande parte do território gaúcho. Para Ijuí, Santa Maria e municípios da Campanha, isso pode ampliar o tempo disponível para colher, embora a queda das temperaturas a partir de domingo também influencie a velocidade de secagem. A ausência de precipitação, isoladamente, não garante grãos prontos para armazenamento.
Com 37% em maturação, trigo ainda depende da janela de colheita
Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), além dos 53% colhidos, 37% das lavouras estavam em maturação e 10% em enchimento de grãos. A distribuição regional revela necessidades distintas: Ijuí tinha 30% colhidos, Santa Maria superava 60% e Passo Fundo registrava somente 10%, com 80% em maturação fisiológica.

Essa diferença ajuda a localizar a utilidade do tempo firme. Em Passo Fundo, há grande parcela próxima da retirada; em Santa Maria, a operação já está mais adiantada. Na região de Ijuí, os lotes apresentavam peso hectolitro entre 72 e 80, com elevada proporção abaixo de 78. Menos chuva pode ajudar a preservar as lavouras remanescentes, mas não reverte deterioração, doenças ou perdas de qualidade já estabelecidas.
O que muda de domingo a quarta no planejamento das máquinas
A melhora prevista também pode facilitar a sucessão entre trigo e soja, cuja semeadura alcançava 23% da área estadual no levantamento de 5 de novembro. Em Ijuí, Passo Fundo e Santa Maria, a liberação dos talhões depende primeiro da retirada do cereal e das condições de tráfego. A previsão favorece o planejamento, mas a capacidade operacional varia entre propriedades.
Entre domingo (8) e quarta-feira (11), faz sentido reavaliar diariamente a umidade dos grãos, a sustentação do solo e a disponibilidade de máquinas. Em Passo Fundo, Santa Maria e Erechim, o estágio efetivo das lavouras deve orientar a prioridade, conforme a maturação e a umidade.
- Em Passo Fundo, os 80% em maturação fisiológica justificam verificar quais talhões efetivamente alcançaram condições de colheita.
- Em Ijuí, com 30% colhidos, separar lotes por qualidade ajuda a organizar recebimento e armazenagem.
- Em Santa Maria, com mais de 60% colhidos, avaliar o solo antes de deslocar máquinas para o plantio seguinte.