Astrônomos identificam candidata a primeira estrela verde já observada no Universo

Astrônomos identificaram, pela primeira vez, uma estrela que pode parecer verde ao olho humano. A descoberta chama a atenção por causa da cor incomum, já que as estrelas costumam ser percebidas em tons de azul, branco, amarelo ou vermelho.

Astrônomos identificaram uma anã branca que pode parecer verde ao olho humano, uma cor incomum entre as estrelas.
Astrônomos identificaram uma anã branca que pode parecer verde ao olho humano, uma cor incomum entre as estrelas.

Estrelas verdes eram consideradas improváveis de existir porque a luz que emitem não fica verde para o olho humano. Mesmo quando há uma emissão intensa em comprimentos de onda verdes, a estrela também emite luz em outras regiões do espectro visível e é interpretada como branca ou amarelada.

O Sol, por exemplo, apresenta um pico de emissão próximo à região verde do espectro, mas quando essas componentes chegam juntas aos nossos olhos, são percebidas como brancas. Já da Terra, o Sol também pode parecer amarelado devido à dispersão atmosférica.

Um novo estudo sobre anãs brancas descreve a descoberta da primeira estrela que poderia parecer verde ao olho humano. Diferentemente do caso de estrelas cujo espectro apenas apresenta emissão intensa nessa faixa, o objeto foi apontado como um possível exemplo de aparência visual verde.

Por que não existe estrela verde?

Estrelas verdes não são observadas porque sua emissão luminosa abrange uma faixa do espectro visível maior. Mesmo quando a intensidade da radiação atinge seu máximo nessa região, outras cores também são emitidas. A combinação desses comprimentos de onda é interpretada pelo como branco ou amarelado.

Esse comportamento está relacionado à radiação térmica emitida pelas estrelas, cujo espectro depende principalmente de sua temperatura.

Como a emissão se distribui por diferentes comprimentos de onda, não basta haver um pico na região verde para produzir essa percepção de cor. Assim, embora existam estrelas com emissão intensa nessa faixa, elas normalmente não apresentam uma aparência verde para observadores humanos.

Estrela verde encontrada

Em um novo artigo, astrônomos anunciaram que encontraram uma estrela que pode ser verde aos olhos humanos. A estrela verde, chamada de WD J13306435, está localizada na constelação de Draco. A presença de cálcio, sódio e lítio na estrela está associada à sua assinatura espectral incomum.

A anã branca WD J13306435, na constelação de Draco, apresenta características espectrais que indicam uma possível aparência verde. Crédito: Hollands et al. 2026
A anã branca WD J13306435, na constelação de Draco, apresenta características espectrais que indicam uma possível aparência verde. Crédito: Hollands et al. 2026

Esses elementos podem ter origem em material rochoso de corpos celestes que se aproximaram demais da anã branca e foram destruídos pela gravidade. Os detritos resultantes podem contaminar a atmosfera estelar, alterando a forma como ela absorve e emite luz.

Uma paleta de cores

Ao analisar dados espectrais de 151 anãs brancas localizadas a até 65 anos-luz da Terra, os pesquisadores identificaram várias cores possíveis para esses objetos. Além da tonalidade verde de uma das estrelas, outra apresentou uma aparência semelhante ao rosa-salmão.

Também foram identificadas tonalidades azuladas e rosa-arroxeadas, relacionadas às diferenças de temperatura e às propriedades químicas das atmosferas estelares. Com esses dados, os pesquisadores estimaram como a radiação seria percebida pelo olho humano.

Sol é verde?

Uma curiosidade é que o Sol é uma estrela que apresenta seu pico de emissão na região verde do espectro visível. No entanto, diferente da WD J13306435, nós não observamos o Sol como verde porque ele emite em vários comprimentos de onda.

O estudo também revelou anãs brancas com diferentes tonalidades, incluindo azuladas, esverdeadas e rosa-salmão, quase como um rosa intenso. Crédito: Hollands et al. 2026
O estudo também revelou anãs brancas com diferentes tonalidades, incluindo azuladas, esverdeadas e rosa-salmão, quase como um rosa intenso. Crédito: Hollands et al. 2026

A cor percebida depende da distribuição espectral completa da luz, e não apenas do comprimento de onda em que a emissão é máxima. Na superfície da Terra, a atmosfera dispersa os comprimentos de onda mais curtos, o que pode fazer o Sol parecer amarelado quando está próximo do horizonte.

Referência da notícia

Hollands et al. (2026). Any colour you like: the diverse chromaticities of white dwarfs.