Pará lidera focos de incêndio no Brasil e registra níveis críticos de poluição do ar

Estado concentra 922 focos ativos de incêndio, enquanto Santarém registra qualidade do ar muito insalubre. Governo federal reforça combate às queimadas e anuncia medidas emergenciais para atender populações afetadas pela fumaça.

Pará lidera focos de incêndio no Brasil e registra ar ‘muito insalubre’. Crédto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Pará lidera focos de incêndio no Brasil e registra ar ‘muito insalubre’. Crédto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Pará liderava o número de focos ativos de incêndio no Brasil em 19 de outubro, com 922 ocorrências identificadas pela plataforma Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O avanço do fogo na região amazônica também compromete a qualidade do ar em diferentes municípios, aumentando a preocupação com os impactos da fumaça sobre a saúde da população.

Em Santarém, no oeste paraense, o índice de qualidade do ar chegou a 260, classificado como muito insalubre pela plataforma internacional IQAir. A medição indica condições de poluição que representam riscos à saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

No Amazonas, estado vizinho, foram registrados 90 focos ativos no mesmo período, após mais de mil ocorrências ao longo de outubro. Em Manaus, a qualidade do ar também apresentava condições preocupantes, com índice de 153, considerado insalubre.

Santarém registra concentração elevada de partículas poluentes

Os dados de monitoramento apontaram concentração de 185 microgramas por metro cúbico de material particulado fino em Santarém. Essas partículas, conhecidas como PM2,5, podem penetrar profundamente no sistema respiratório e alcançar a corrente sanguínea, provocando efeitos prejudiciais à saúde.

O valor registrado na cidade supera significativamente o limite de referência de 32 microgramas por metro cúbico, considerado pela legislação brasileira para a média diária. Embora as medições representem períodos diferentes, os números demonstram a gravidade das condições atmosféricas observadas.

A exposição à fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos, tosse, dificuldades respiratórias e agravamento de doenças preexistentes. Em situações de poluição intensa, recomenda-se reduzir atividades físicas ao ar livre e acompanhar os alertas emitidos pelas autoridades de saúde.

Governo federal reforça operações de combate aos incêndios

Diante do cenário de queimadas na Amazônia, o governo federal anunciou o reforço das operações de enfrentamento ao fogo. No último domingo (18), o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, informou a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas em Manaus.

No estado do Amazonas, foram registrados 90 focos ativos, após o Estado ter registrado mais de mil pontos de fogo este mês. Crédito: Reprodução/Andi
No estado do Amazonas, foram registrados 90 focos ativos, após o Estado ter registrado mais de mil pontos de fogo este mês. Crédito: Reprodução/Andi

A estrutura foi organizada para ampliar a coordenação das ações na região. Também foram adaptadas cinco aeronaves adicionais para o combate aos incêndios, elevando para 16 o número de aviões empregados nas operações.

O reforço busca ampliar a capacidade de resposta às ocorrências e apoiar as equipes que atuam no controle das chamas, em um período marcado pela elevada quantidade de focos de incêndio e pela deterioração da qualidade do ar.

Medidas emergenciais incluem recursos e atendimento à saúde

Além das ações de combate ao fogo, o governo federal anunciou medidas para atender a população atingida pela poluição. Para última terça-feira (20), estava prevista a implantação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional também disponibilizou R$ 14 milhões ao Governo do Amazonas para apoiar ações relacionadas à situação de emergência.

O cenário evidencia os impactos das queimadas sobre a saúde pública e as condições ambientais da Amazônia, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo, prevenção de incêndios e proteção das comunidades expostas à fumaça.

Referência da notícia

Revista Cenarium. (2026). Pará lidera focos de incêndio no Brasil e registra ar ‘muito insalubre’.