Cidades pequenas concentram quase 90% dos grandes eventos climáticos no Brasil e enfrentam desafios, diz estudo
Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 90% dos desastres climáticos no Brasil ocorrem em cidades de pequeno porte. Veja quais os desafios enfrentados para a população se proteger.

Uma dissertação de mestrado desenvolvida na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) revelou que quase 90% dos grandes eventos climáticos no Brasil ocorreram em municípios de pequeno porte, contrariando a percepção de que os desastres ambientais atingem principalmente as grandes cidades.
A pesquisa foi desenvolvida pelo geólogo Erick Correia Mota, é intitulada "Capacidade adaptativa às mudanças climáticas em pequenos municípios brasileiros: uma análise multidimensional e multiescala – do nacional ao local" e foi defendida recentemente.
Descubra abaixo mais informações sobre esta pesquisa.
O que a pesquisa descobriu?
A pesquisa analisou como cidades de pequeno porte enfrentam esses eventos extremos e incorporam a questão climática às políticas públicas.
O trabalho analisou diferentes indicadores oficiais para avaliar a capacidade de adaptação dos municípios às mudanças climáticas, incluindo a capacidade fiscal e a disponibilidade de recursos das administrações locais.
Foram investigados 10 municípios dos estados do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. E segundo a pesquisa, quase 90% dos grandes eventos climáticos ocorreram em municípios de pequeno porte.

Apesar dessa presença expressiva, muitas dessas pequenas cidades enfrentam limitações financeiras e estruturais para prevenir e responder a desastres.
Os principais desafios enfrentados pelas cidades pequenas
A pesquisa identificou problemas que comprometem a preparação destas cidades para eventos climáticos extremos, como tempestades, secas, inundações. São eles:
- A falta de recursos financeiros: orçamentos limitados dificultam investimentos em prevenção, infraestrutura e ações de adaptação.
- Equipes técnicas reduzidas: algumas cidades possuem poucos profissionais na Defesa Civil e não contam com veículos ou recursos próprios suficientes para responder a emergências.
- Falta de integração entre secretarias: a pouca articulação entre diferentes setores da administração municipal prejudica o planejamento e a execução de medidas conjuntas.
- Diferença entre os indicadores oficiais e a realidade: os dados administrativos nem sempre refletem a capacidade efetiva das cidades de enfrentar situações de risco.
Este trabalho é importante pois seus resultados destacam que, para reduzir os impactos dos eventos extremos nestas cidades, é necessário fortalecer as estruturas de prevenção, ampliar o acesso a recursos e melhorar a integração entre os órgãos públicos.
Além disso, a pesquisa também destaca a necessidade de considerar as características locais no planejamento climático, já que cidades serranas e costeiros, por exemplo, podem ter diferentes tipos de ameaças e de vulnerabilidades.
Referência da notícia
Redação Jornal da USP. (2026). No Brasil, cerca de 90% dos desastres climáticos ocorrem em cidades de pequeno porte.