Cachaça desde 1803, tobogã natural e caminho do ouro: a Paraty que muitos turistas deixam de fora
Além da arquitetura e das praias: para quem quer fugir do óbvio, Paraty guarda trilhas em meio à Mata Atlântica, cachoeiras escondidas e experiências culturais que permitem conhecer um lado menos explorado da cidade.

Paraty é uma bela cidade histórica e litorânea no sul do estado do Rio de Janeiro, famosa por sua arquitetura colonial bem preservada no Centro Histórico, pela natureza e por suas belas praias, com destaque para as de Trindade.
A cidade foi declarada em 2019 como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. Seu famoso Centro Histórico foi fundado no século XVII (com calçamento "pé de moleque" do século XIX), e preserva o traçado urbano colonial original, as ruas planejadas com influência das marés da lua cheia, arquitetura barroca e igrejas históricas.
Mas Paraty vai além da arquitetura e das praias… banhos de cachoeira, visitas a alambiques e trilhas históricas podem ser incluídas no roteiro para explorar diferentes lados da cidade. Conheça mais sobre estes atrativos abaixo.
Roteiro fora do comum em Paraty
Para quem quer fugir do óbvio, Paraty guarda trilhas em meio à Mata Atlântica, cachoeiras escondidas, comunidades tradicionais e experiências culturais que permitem conhecer um lado menos explorado da região.
Um dos passeios diferentes para descobrir em Paraty é o Saco do Mamanguá, uma ótima opção para quem busca aventura e tranquilidade longe dos roteiros mais movimentados. Trata-se de uma longa enseada costeira que se estende por cerca de 8 km entre montanhas cobertas por Mata Atlântica, terminando em um manguezal preservado. Ao longo de suas margens há comunidades tradicionais que vivem principalmente da pesca, do turismo e do artesanato.

O local pode ser explorado de canoa, caiaque ou barco e também oferece trilhas, pequenas praias e subida ao Pico do Pão de Açúcar, cuja trilha parte da Praia do Cruzeiro.
Outro ponto para colocar no seu roteiro é a Ponta da Juatinga, uma região costeira preservada conhecida por suas paisagens selvagens, praias pouco movimentadas (como a Praia da Sumaca e a Praia de Martim de Sá) e trilhas pela Mata Atlântica. É acessível por trilhas ou embarcações e ideal para quem gosta de destinos mais isolados.

Ainda em meio à natureza, a Cachoeira da Melancia é uma alternativa menos convencional aos pontos de banho mais conhecidos. Trata-se de uma grande queda-d'água de águas cristalinas, cercada por vegetação tropical densa, mas seu acesso envolve uma trilha exigente, com trechos pouco sinalizados. Para chegar até ela, o acesso é feito pela região do Sertão do Taquari, cerca de 25 km distante do centro de Paraty.
A Cachoeira do Tobogã é outro atrativo natural que foge do comum. O seu nome vem da enorme pedra lisa por onde a água escorre até um poço de água fria, formando um escorregador natural. Dá para descer sentado ou deitado e terminar o percurso dentro da água. Fica a cerca de 20 minutos de carro do centro histórico da cidade.
O Poço da Laje é outra opção, um poço natural de águas de rio cercado por pedras e vegetação. É uma alternativa para quem deseja tomar banho de água doce e aproveitar um ambiente sossegado.

Você também pode aproveitar para visitar alambiques artesanais e conhecer todo o processo de como a cachaça é fabricada, desde a fermentação da cana-de-açúcar até a destilação e o armazenamento. É um passeio interessante para quem deseja conhecer o patrimônio rural e gastronômico de Paraty.
Alguns estabelecimentos oferecem visitas guiadas, apresentando equipamentos, histórias familiares e métodos artesanais. No alambique Coqueiro, por exemplo, um tour guiado apresenta a trajetória da família responsável pela produção, que fabrica cachaça desde 1803.

Conhecer o Quilombo do Campinho é outra experiência diferente, onde é possível fazer uma imersão cultural e conhecer a história da comunidade quilombola, sua culinária, o artesanato e os saberes tradicionais transmitidos entre gerações.
E por fim, mas não menos importante, temos o Caminho do Ouro, uma rota histórica de pedras que integra a antiga Estrada Real e foi usada durante o período colonial para transportar ouro e mercadorias entre Minas Gerais e o litoral do Rio de Janeiro.
Aqui você tem a oportunidade de explorar trechos desta antiga rota, e a caminhada proporciona contato com árvores nativas, pássaros e paisagens da Serra da Bocaina. Mas atenção, a visita a certos trechos pode exigir acompanhamento de guia e autorização prévia.
Referência da notícia
Carrilho, C. (2026). Paraty além das praias: 7 passeios para incluir no roteiro.