Nova previsão indica El Niño com 4°C de aquecimento e região de monitoramento já supera 30°C

Pela primeira vez desde o início do monitoramento da temperatura da superfície do mar pela NOAA a região de monitoramento do El Niño ultrapassou 30°C. Enquanto isso, nova previsão do ECMWF aponta que a anomalia absoluta do El Niño pode superar 4°C em dezembro.

Temperatura diária da superfície do mar no último dia 5 de outubro de 2026, onde o retângulo destaca a região Niño 3.4, onde se monitora o fenômeno. Créditos: Climate Reanalyzer.
Temperatura diária da superfície do mar no último dia 5 de outubro de 2026, onde o retângulo destaca a região Niño 3.4, onde se monitora o fenômeno. Créditos: Climate Reanalyzer.

A nova previsão do modelo ECMWF iniciada em outubro indica que o aquecimento mensal absoluto na região de monitoramento do El Niño (Niño 3.4) pode alcançar uma anomalia absoluta superior a 4°C em dezembro.

Enquanto isso, dados preliminares de temperatura da superfície do mar (TSM) monitorada pela NOAA apontam que, pela primeira vez desde 1981, a TSM diária na região Niño 3.4 superou 30°C, tendo sido registrada uma média de 30,06°C na última segunda-feira (5).

Este valor é extremamente preocupante, uma vez que o fenômeno ainda não alcançou seu pico, e deve continuar aquecendo até, pelo menos, dezembro. A seguir, confira detalhes do recorde e o que diz a nova rodada do ECMWF.

TSM ultrapassa 30°C pela primeira vez

O gráfico abaixo mostra as séries anuais de TSM diária na região do Niño 3.4 desde 1981. Os anos de 1981 a 2024 são mostrados em linhas cinzas, enquanto o ano de 2025 é destacado em amarelo e 2026 em vermelho. As linhas tracejadas representam as normais climatológicas de 1982-2010 e 1990-2020.

Fica claro como o ano de 2026 se destaca não apenas dos valores médios históricos mas também dos demais anos, principalmente a partir de junho de 2026, quando a curva vermelha “descola” completamente das demais.

TSM diária na região do Niño 3.4 entre 1981 a 2026, com a linha vermelha representando 2026. Créditos: Climate Reanalyzer.
TSM diária na região do Niño 3.4 entre 1981 a 2026, com a linha vermelha representando 2026. Créditos: Climate Reanalyzer.

Desde junho de 2026 a TSM nesta região vem quebrando recordes diários em relação ao mesmo período dos anos anteriores. Em 30 de setembro de 2026 o recorde histórico de 29,82°C em 17 de novembro de 2015 foi quebrado, com a TSM alcançando 29,85°C.

O recorde anterior, de 2015, ocorreu durante o pico do El Niño daquele ano e, agora, pela primeira vez na história das medições, a TSM diária ultrapassou 30°C - em outubro! A diferença mais importante aqui é que o El Niño atual ainda não alcançou seu pico, previsto para dezembro de 2026. Até lá, a TSM diária ainda deve subir muito, elevando ainda mais o patamar dos novos recordes.

ECMWF prevê aquecimento superior a 4°C

Todos os meses os modelos climáticos atualizam suas previsões para o El Niño, ao incorporar as observações recentes. A nova rodada do modelo ECMWF mostra que a maior parte dos membros do modelo prevê anomalias absolutas superiores a 4°C, podendo se aproximar de 5°C entre novembro e dezembro. Neste caso, estamos falando de anomalias absolutas, que levam em conta o aquecimento global.

Previsão de anomalia relativa (esquerda) e absoluta (direita) do modelo ECMWF para o El Niño. Créditos: Meteored/ECMWF.
Previsão de anomalia relativa (esquerda) e absoluta (direita) do modelo ECMWF para o El Niño. Créditos: Meteored/ECMWF.

Já a previsão de anomalias relativas, que desconta o aquecimento de fundo dos oceanos tropicais e é a nova metodologia oficial, indica com segurança um pico mensal superior a 3°C, podendo alcançar 3,7°C no cenário mais alarmista e 3,5°C considerando a média dos membros da simulação. Cada linha vermelha representa um membro, ou seja, previsões iniciadas com pequenas diferenças nas condições iniciais.

Além disso, o modelo ECMWF prevê que o El Niño deve permanecer dentro da categoria forte (acima de 1,5°C) até, pelo menos, abril de 2027. Este aquecimento elevado prolongado pode impactar fortemente o Nordeste, deixando as chuvas muito abaixo da média durante a estação chuvosa.