Cinco regiões de recifes de corais do Brasil estão criticamente ameaçadas, aponta estudo internacional

Avaliação internacional alerta para riscos de colapso em ecossistemas marinhos brasileiros, principalmente devido ao aquecimento dos oceanos, e recomenda medidas urgentes de conservação e redução das emissões de gases poluentes.

Lista Vermelha de Ecossistemas recomenda proteção urgente. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil
Lista Vermelha de Ecossistemas recomenda proteção urgente. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cinco regiões de recifes de corais do Brasil foram classificadas como criticamente em perigo pela Lista Vermelha de Ecossistemas, apresentada durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), realizada em Yerevan, na Armênia. A avaliação aponta riscos elevados de colapso desses ambientes nas próximas décadas.

O levantamento, conduzido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), analisou oito ecorregiões brasileiras. Cinco receberam a classificação mais grave de ameaça antes do colapso: Parrachos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha, Costa dos Corais, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul, e Abrolhos.

As outras três regiões avaliadas (Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande) não apresentaram informações suficientes para uma classificação geral. Segundo especialistas, a ausência de dados reforça a necessidade de ampliar pesquisas e monitoramento desses ecossistemas.

Aquecimento dos oceanos ameaça sobrevivência dos corais

A principal ameaça identificada são as ondas de calor marinhas, que elevam a temperatura da água e provocam episódios de branqueamento dos corais. Eventos registrados em 2019, 2020 e 2024 causaram danos severos e mortalidade de espécies importantes para os recifes.

O estudo considerou transformações observadas nos últimos 50 anos e projeções de estresse térmico para as próximas cinco décadas. Com base em um cenário intermediário do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), todas as cinco regiões brasileiras alcançaram a categoria de risco crítico.

Além do aquecimento, atividades humanas intensificam a degradação desses ambientes. Entre as pressões identificadas estão pesca excessiva, expansão urbana costeira, turismo, poluição, exploração de petróleo e gás, mineração e presença de espécies invasoras, como o coral-sol e o peixe-leão.

Levantamento aponta ameaça global aos ecossistemas

A avaliação internacional analisou 127 ecorregiões de recifes em mais de 80 países e territórios. Desse total, 122 foram classificadas como criticamente em perigo, representando aproximadamente 96% das áreas estudadas.

Fernando de Noronha figura em lista de recifes de corais costeiros sob ameaça. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando de Noronha figura em lista de recifes de corais costeiros sob ameaça. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A pesquisa concentrou-se nos recifes de corais fóticos, encontrados em águas rasas que recebem luz solar. Ecossistemas profundos, recifes rochosos e corais de águas frias não fizeram parte da análise.

Quando consideradas apenas as alterações registradas nas últimas cinco décadas, sem incluir projeções climáticas futuras, 30 ecorregiões já apresentavam risco crítico. Os resultados mostram como o aquecimento global pode ampliar as ameaças aos ambientes marinhos.

Conservação exige ações locais e compromissos climáticos

A Lista Vermelha de Ecossistemas fornece informações para orientar políticas públicas de proteção da biodiversidade e apoiar o cumprimento das metas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, firmado em 2022.

Entre as medidas recomendadas estão a recuperação de áreas degradadas, a redução da poluição, o controle de espécies invasoras e o fortalecimento da gestão dos ecossistemas costeiros. Essas ações podem melhorar a capacidade de recuperação dos recifes.

Os pesquisadores alertam, entretanto, que iniciativas locais não conseguem impedir o aquecimento dos oceanos. A redução das emissões globais de gases de efeito estufa permanece essencial para diminuir os riscos de colapso e preservar a biodiversidade marinha.

Referência da notícia

Agência Brasil. (2026). Brasil tem cinco regiões de recifes de corais costeiros sob ameaça.