Super El Niño: chance de recorde histórico aumenta para 83% segundo a NOAA
O El Niño continua se fortalecendo, com a anomalia de temperatura da superfície do mar na região de monitoramento alcançando 2,1°C em setembro - dentro da categoria "muito forte". Neste contexto, a NOAA aumenta para 83% a chance de o evento superar +2,5°C e se tornar o mais forte dos registros.

A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) aumentou em quase 10% a probabilidade de que o El Niño 2026/2027 seja o mais intenso já registrado desde 1950.
Ao mesmo tempo, o aquecimento do Pacífico Equatorial se intensificou: o índice Niño-3.4 chegou a +2,1°C, dentro da categoria “muito forte”, enquanto uma enorme área com anomalias superiores a +4°C vem avançando da costa do Peru em direção à região do Pacífico Central.
A NOAA destaca que o El Niño continua se fortalecendo e que condições de El Niño forte a muito forte devem persistir pelo menos até o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2027. Confira os detalhes.
El Niño ultrapassa +2°C no Pacífico Equatorial
O oceano continuou aquecendo de forma expressiva durante setembro. Segundo a NOAA, as temperaturas da superfície do mar apresentaram anomalias superiores a +4°C em algumas áreas do Pacífico Equatorial leste, enquanto os principais índices Niño também avançaram em relação ao mês anterior.
Esse aquecimento também é sustentado pelas condições abaixo da superfície (300 m de profundidade), cuja temperatura vem subindo continuamente desde janeiro deste. A região equatorial do Pacífico mantém temperaturas muito acima da média, com anomalias superiores a +10°C na semana centrada em 30 de setembro.

Além disso, o padrão atmosférico continua característico de um El Niño em fortalecimento, com anomalias de ventos de oeste em baixos níveis, alterações nos ventos de altos níveis e convecção mais intensa sobre o Pacífico central e leste.
Uma das respostas atmosféricas ao El Niño é a intensificação do jato subtropical, corrente de ventos fortes em altos níveis da atmosfera. Embora São Paulo não apresente uma resposta clara e consistente na precipitação durante episódios de El Niño, os efeitos do fenômeno também se refletiram no padrão de chuva observado no Brasil em setembro. O jato esteve mais intenso e deslocado para norte de sua posição climatológica, contribuindo para a ocorrência de chuvas excepcionais e recordes de precipitação em São Paulo.
Chance de superar os recordes chega a 83%
A probabilidade do índice trimestral de anomalias relativas de TSM (RONI) atingir ou superar +2,5°C subiu para 83% para o trimestre de outubro-novembro-dezembro. O valor de +2,5°C é particularmente importante porque, se alcançado, colocaria o evento acima dos maiores valores registrados desde 1950, no início do monitoramento.

Em setembro, a NOAA estimava 75% de probabilidade de superar esse limiar no trimestre outubro-dezembro. Agora, a probabilidade aumentou 8 pontos percentuais, enquanto o próprio aquecimento observado no Pacífico também se intensificou.
Além disso, a NOAA encerrou a incerteza sobre a categoria de intensidade do evento: há 100% de probabilidade de um El Niño muito forte nos trimestres de setembro-novembro e outubro-dezembro. Agora, a questão não é mais se o fenômeno atingirá essa categoria, mas quão intenso ele será e qual será o valor máximo alcançado.