Fungo da Amazônia reduz podridão em tomateiros em cerca de 76% em teste de campo; entenda

Um fungo amazônico reduziu a incidência de podridão em tomateiros e aumentou a produção em um teste de campo em Manaus. O resultado indica potencial para bioinsumos, mas ainda depende de confirmação em diferentes condições de cultivo.

Fungos do gênero Trichoderma podem atuar no controle biológico de doenças do solo.
Fungos do gênero Trichoderma podem atuar no controle biológico de doenças do solo.

Um fungo encontrado na Amazônia reduziu de 48,3% para 11,7% a proporção de tomateiros com podridão causada por um patógeno do solo em um experimento em Manaus. A queda equivale a cerca de 76% em termos relativos. O tratamento também elevou a produção de frutos naquele ensaio, indicando potencial para o controle biológico da doença.

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O resultado aparece em um artigo científico publicado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A pesquisa avaliou microrganismos regionais em condições de campo, mas também encontrou um limite importante: no segundo experimento, os tratamentos não produziram diferenças estatisticamente significativas de crescimento ou produção.

Menos plantas doentes e mais tomates no primeiro ensaio

Entre maio e agosto de 2023, a equipe comparou sete tratamentos, com quatro repetições cada, usando tomateiros da variedade Yoshimatsu. O solo recebeu previamente o fungo Agroathelia rolfsii, causador de uma podridão que ataca a base do caule e pode matar a planta.

A comparação incluiu microrganismos amazônicos, um produto biológico comercial, um fungicida químico e plantas sem tratamento.

O destaque foi Trichoderma rugulosum, identificado como INPA 2957. Além da menor incidência da doença entre os tratamentos biológicos, sua produção chegou a aproximadamente 1,44 kg de frutos por metro quadrado, contra 0,83 kg nas parcelas sem tratamento.

Isolados amazônicos de Trichoderma foram avaliados como alternativa biológica contra a podridão causada por Agroathelia rolfsii.
Isolados amazônicos de Trichoderma foram avaliados como alternativa biológica contra a podridão causada por Agroathelia rolfsii.

Os frutos foram colhidos durante 30 dias. O ganho foi significativo nessa comparação, mas o isolado não superou estatisticamente o fungicida químico nem o produto biológico comercial.

  • A incidência caiu 36,6 pontos percentuais, de 48,3% para 11,7%.
  • A massa de frutos colhida aumentou aproximadamente 73% frente ao controle.
  • O fungicida químico apresentou incidência zero no ensaio.

Como um fungo pode ajudar a proteger o tomateiro

Espécies de Trichoderma podem competir com fungos causadores de doenças por espaço e nutrientes, produzir substâncias que dificultam seu desenvolvimento ou parasitá-los.

Fungos presentes no solo podem atacar a base do caule, provocar podridão, interromper o transporte de água e levar a planta à morte.
Fungos presentes no solo podem atacar a base do caule, provocar podridão, interromper o transporte de água e levar a planta à morte.

Esses mecanismos ajudam a explicar o interesse pelo controle biológico. Neste trabalho, porém, os testes de campo demonstram o resultado do tratamento, sem determinar qual mecanismo foi responsável pela proteção observada nas plantas.

Em laboratório, os seis isolados avaliados produziram substâncias capazes de capturar ferro, chamadas sideróforos.

Alguns também geraram compostos relacionados a processos de crescimento vegetal. Isso revela características potencialmente úteis, mas não comprova que elas tenham aumentado a nutrição ou o desenvolvimento dos tomateiros no campo. O isolado com melhor controle da doença, inclusive, não liderou a produção desses compostos associados ao crescimento.

O que muda antes de transformar o resultado em bioinsumo

O segundo ensaio, realizado entre março e junho de 2024, mostrou por que o desempenho precisa ser confirmado em diferentes condições. A chuva média mensal passou de aproximadamente 68 mm no primeiro experimento para 269 mm no segundo. Também ocorreu mancha-alvo, outra doença, após o florescimento.

Os autores sugerem que ela possa ter limitado a resposta das plantas, mas não mediram sua incidência nem sua severidade.

Como os experimentos ocorreram em períodos distintos e tiveram protocolos diferentes, esses resultados não isolam o efeito da chuva sobre o tratamento. A descoberta aponta candidatos para desenvolver bioinsumos, produtos baseados em organismos vivos, especialmente para regiões tropicais úmidas.

Antes de ampliar seu uso, será necessário testar outras safras, ambientes e formulações, além de cumprir exigências regulatórias. Também será preciso verificar a viabilidade econômica e a estabilidade do produto durante o armazenamento e a aplicação agrícola. A pesquisa não demonstrou redução efetiva do consumo de agrotóxicos nem garante o mesmo ganho em outras lavouras.

Referência da notícia

Batista, A.D.P.R.; Menezes, J.S.; Almeida, L.N.d.; Assis, L.A.G.; Willerding, A.L.; Queiroz, C.A.d.; Coelho Netto, R.A.; Silva, G.F.d.; Hanada, R.E. (2026). Amazonian Trichoderma spp. as Biocontrol Agents Against Agroathelia rolfsii and for Improving Tomato Yield.