Rio Uruguai acima da cota de inundação e chuvas ameaçam semeadura do arroz no RS
Cheia no rio Uruguai e nova rodada de chuva reduzem a janela para o arroz irrigado no Rio Grande do Sul, onde várzeas encharcadas, taipas danificadas e solos saturados dificultam semeadura, drenagem e entrada de máquinas agrícolas.

O plantio do arroz irrigado no Rio Grande do Sul entra na semana de 19 a 25 de outubro sob risco acumulado. A cheia mantém atenção entre São Borja, Itaqui e Uruguaiana, enquanto apenas cerca de um terço dos 861.779 hectares projetados foi semeado. Arroz, soja e milho podem enfrentar nova redução das janelas de campo.
A previsão indica tempo firme na terça-feira (20), mas a chuva retorna pelo Oeste, Missões e Noroeste na quarta (21) e ganha força posteriormente. Em várzeas encharcadas, a sequência pode dificultar drenagem, reconstrução de taipas, entrada de tratores e estabelecimento das plântulas, sem significar que toda área terá novas perdas.
Rio Uruguai permanece elevado antes da mudança do tempo
Nesta segunda-feira (19), o risco hidrológico é moderado na Região Geográfica Intermediária de Uruguaiana devido à propagação da onda de cheia. O rio Uruguai permanece acima da cota de inundação entre Itaqui e Uruguaiana, enquanto os níveis variam de inundação à normalidade no restante da bacia. Em São Borja, a evolução a montante continua importante para antecipar reflexos rio abaixo.

A terça-feira oferece a melhor trégua: as mínimas devem variar de 2°C a 14°C e as máximas, de 12°C a 27°C no Estado. Na quarta, há previsão de chuva moderada a forte isolada no Oeste, Missões, Noroeste e Norte. Para a Fronteira Oeste, Região Central e Campanha, isso reduz o tempo disponível para o solo perder água antes da próxima instabilidade.
Várzeas encharcadas atrasam arroz, soja e milho
A semeadura do arroz alcançou aproximadamente um terço dos 861.779 hectares previstos no Rio Grande do Sul. A Fronteira Oeste e o Sul avançaram mais, mas Região Central e Litoral tiveram preparo e implantação restringidos. Alagamentos já danificaram taipas e prejudicaram o estabelecimento inicial, fase em que falta de oxigênio no solo pode reduzir vigor e uniformidade das plantas.

O problema operacional aparece também fora das várzeas. Em Santa Rosa, 6% dos 786.234 hectares projetados de soja haviam sido semeados.
Novos temporais podem ainda favorecer erosão e lixiviação de nutrientes.
- Em Uruguaiana, revisar taipas antes de ampliar o plantio nos 861.779 hectares estaduais reduz exposição a novo extravasamento.
- Na Região Central, a trégua de 20 de outubro deve priorizar drenagem e avaliação da sustentação do solo para máquinas.
- Em Santa Rosa, onde a soja está em 6%, semear em solo plástico pode elevar compactação e falhas de emergência.
- Em Pelotas e Soledade, o milho já alcança 76% no Estado, mas adubação deve respeitar umidade e risco de lixiviação.
Manejo precisa aproveitar a trégua antes do fim de semana
Entre quinta (22) e domingo (25), há previsão de novas rodadas de chuva e temporais no Centro-Sul, com possibilidade de volumes superiores a 100 milímetros em pontos da Região Sul. Oeste, Noroeste e Norte gaúchos entram primeiro na faixa instável; depois, o risco pode alcançar Campanha, Região Central e áreas próximas ao rio Uruguai, dependendo da posição da baixa pressão.

O produtor pode usar os dias 19 e 20 para inspecionar drenagem, limpar canais e mapear talhões, evitando mobilizar máquinas pesadas onde não houver sustentação.
Pulverização e adubação devem considerar chuva, vento e intervalo de absorção do produto; a irrigação pode permanecer suspensa em solos saturados. De 21 a 25, decisões sobre semeadura ou ressemeadura exigem avaliação agronômica local, conforme textura, relevo, cultivar e previsão atualizada.