Super El Niño alcança recorde de 3,4°C; entenda o que isso significa e o que esperar
A anomalia semanal absoluta da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 atingiu +3,4°C, o maior valor da série histórica. Além de estabelecer um recorde, esse valor já se aproxima do patamar que os modelos preveem para o pico trimestral do Super El Niño, sugerindo que o aquecimento deve continuar muito intenso até o fim do ano.

A anomalia semanal absoluta da temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico equatorial alcançou impressionantes +3,4°C na última semana na região de monitoramento do El Niño, de acordo com os registros da NOAA, a Administração Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos.
As anomalias semanais relativas, por sua vez, ainda não são recordes, mas já atingiram +2,5°C no mesmo período. Estes números reforçam a intensidade excepcional do aquecimento, mas é importante entender que essas duas medidas representam coisas diferentes e que os valores semanais não determinam, por si só, a classificação final do El Niño. Afinal, qual é a real intensidade do El Niño atualmente e o que estes valores semanais sugerem?
Anomalias absolutas versus anomalias relativas
A anomalia absoluta indica o quanto a temperatura está acima da climatologia de referência. A anomalia relativa desconta o aquecimento de fundo dos oceanos tropicais, apresentando valores menores.
Os dois valores descrevem o aquecimento sob perspectivas diferentes: as anomalias absolutas representam o fenômeno El Niño somado ao aquecimento global, enquanto as anomalias relativas buscam isolar o sinal do fenômeno El Niño.

Uma anomalia absoluta de 3,4°C jamais foi observada anteriormente na série histórica da NOAA, iniciada em 1981. O maior valor de anomalia absoluta fora o evento de 2026/2027 é de 3°C, na semana de 18 de novembro de 2015.

Já em termos de anomalia relativa, o valor de 2,5°C é inferior ao recorde de 2,9°C observado na semana de 29 de dezembro de 1982. Mas vale ressaltar que o recorde foi alcançado durante o pico do evento daquele ano, enquanto o evento em curso ainda não alcançou seu pico. Além disso, uma anomalia de 2,5°C nunca foi observada em mês outubro anteriormente.
Como será definida a intensidade final do Super El Niño?
A intensidade final do El Niño será definida pela média trimestral das anomalias de TSM no Pacífico equatorial, e não pelos maiores valores semanais isolados. Na metodologia oficial atual, utiliza-se o RONI, baseado em anomalias relativas; anteriormente, o monitoramento era feito pelo ONI, baseado em anomalias absolutas.
De acordo com os índices mais recentes, o trimestre de julho-agosto-setembro registrou anomalia de +1,7°C pelo RONI, caracterizando um El Niño forte (acima de +1,5 °C), e de +2,2°C pelo ONI, na categoria muito forte (acima de +2,0 °C).
O que as anomalias semanais sugerem?
As anomalias semanais não determinam a intensidade final do El Niño, calculada a partir de médias trimestrais. No entanto, elas ajudam a acompanhar a evolução do fenômeno e, neste momento, mostram um sinal importante: o aquecimento do Pacífico equatorial já está atingindo valores próximos aos previstos pelos principais modelos para o pico do evento.

A pluma de modelos do IRI indica que a média trimestral das anomalias absolutas poderá se aproximar de +3,5°C nos períodos de outubro-novembro-dezembro e novembro-dezembro-janeiro.
Para que essa média seja alcançada, o aquecimento precisará permanecer em níveis muito elevados ao longo dos próximos meses. Isso sugere que as anomalias semanais podem se manter próximas dos valores atuais ou até aumentar um pouco mais até o fim do ano, antes de o evento atingir seu pico.
O que esperar dos impactos em novembro?
A expectativa de que o El Niño continue se intensificando até o fim do ano aumenta o interesse sobre seus impactos no Brasil. No entanto, a distribuição das chuvas e das temperaturas também depende da atuação de outros sistemas atmosféricos.
Os maiores desvios superam 100 mm acima da média e estão previstos ocorrer entre uma área que abrange desde o centro-norte do Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina e do Paraná. Já os maiores desvios negativos são da ordem de 100 mm abaixo da média e estão previstos para o oeste da Amazônia.

Em relação à temperatura, o modelo prevê valores acima da média em praticamente todo o Brasil, especialmente na área de menor precipitação, onde as anomalias podem superar +2°C. Sobre o Rio Grande do Sul, a área em branco significa que há igual probabilidade entre as categorias abaixo, acima ou dentro da média, portanto, sem nenhum sinal predominante.