Estoques de grãos no Brasil: soja pode cair 31% e arroz 23% em 2026/27

Novos dados da Conab projetam estoques menores de soja, milho e arroz ao fim de 2026/27, mesmo com safra total maior. Exportações, consumo interno e clima definirão quanto restará e como o mercado reagirá no Brasil.

Estoques menores podem ampliar a reação dos preços a mudanças na safra, no consumo e nas vendas externas.
Estoques menores podem ampliar a reação dos preços a mudanças na safra, no consumo e nas vendas externas.

Os novos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetam estoques de passagem menores ao fim de 2026/27: soja de 9,53 para 6,54 milhões de toneladas (-31,4%), milho de 16,04 para 14,93 milhões (-6,9%) e arroz em casca de 1,81 para 1,40 milhão (-22,7%). A redução diminui a margem para absorver quebras ou mudanças na demanda.

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Estoque de passagem é o volume que resta após somar produção e importações e descontar consumo e exportações. A projeção chama atenção porque a colheita total de grãos pode alcançar 367,1 milhões de toneladas. Produzir mais não garante folga: as vendas externas e o uso doméstico pesam no balanço.

Soja lidera a queda projetada nos estoques

A Conab estima 181,6 milhões de toneladas de soja em 2026/27, acima dos 180,4 milhões da safra anterior. Mas prevê exportações de quase 118 milhões e processamento de 63,8 milhões. Com essas saídas, o estoque projetado cai cerca de 3 milhões de toneladas. A lavoura está no início do ciclo, e o resultado dependerá da produção e da demanda efetivas.

Soja: mesmo com a produção projetada em alta, exportações e processamento podem reduzir o estoque de passagem em 2026/27.
Soja: mesmo com a produção projetada em alta, exportações e processamento podem reduzir o estoque de passagem em 2026/27.

Uma reserva menor pode tornar o mercado mais sensível a atrasos de colheita, perdas de produtividade ou compras externas acima do esperado. Isso pode afetar negociações com a indústria de óleo e farelo, mas não determina sozinho o preço ao produtor. Câmbio, cotações internacionais e frete também entram nessa conta.

Milho cresce, enquanto arroz perde volume

No milho, a produção prevista sobe para 148 milhões de toneladas. Ainda assim, a Conab espera consumo interno de 104,8 milhões e exportações de 46 milhões, levando o estoque a 14,93 milhões.

O avanço da produção de etanol de milho aumenta a demanda pelo grão e pode reduzir o volume disponível para compor os estoques de passagem.
O avanço da produção de etanol de milho aumenta a demanda pelo grão e pode reduzir o volume disponível para compor os estoques de passagem.

O etanol impulsiona parte da demanda. Já no arroz em casca, a colheita projetada recua para 10,75 milhões de toneladas, enquanto o consumo permanece em 10,8 milhões. Cada cultura traz uma pressão distinta:

  • Soja: o estoque final projetado encolhe 2,99 milhões de toneladas, apesar da leve alta na produção.
  • Milho: o consumo interno deve crescer 6,6%, absorvendo parte da colheita maior.
  • Arroz: as exportações previstas caem para 1,66 milhão de toneladas, mas o estoque ainda recua 22,7%.

A redução das vendas externas de arroz pode preservar parte da oferta interna. Mesmo assim, com importações previstas em 1,3 milhão de toneladas, a Conab calcula estoque final de 1,40 milhão. Isso não prevê falta do produto: indica margem menor para compensar alterações na colheita ou na demanda.

O que muda para mercado e consumidores

Estoques menores podem ampliar a reação do mercado a cada revisão da safra. Uma quebra climática, mudança no câmbio ou exportações diferentes das previstas podem alterar a reserva projetada.

A disputa pelo milho pode influenciar custos de ração e etanol; no arroz, consumidores podem sentir eventual repasse no varejo.

Os números representam momentos distintos: a Conab fecha o estoque da soja em 31 de dezembro, o do milho em 31 de janeiro e o do arroz em 28 de fevereiro.

Para 2026/27, essas datas caem entre o fim de 2027 e o início de 2028. Até lá, clima, exportações e consumo industrial poderão mudar o balanço. A safra pode ser grande, mas a margem de segurança projetada ficou menor.